Olha o carnaval aí, gente!

 

Olha o carnaval aí, gente   Morando no Rio é impossível ignorar o carnaval, que agora começa quinze dias antes e acaba uma semana depois.

É uma festa para lá de pagã, mas ninguém é obrigado a participar. Dá para curtir o clima de forma light. Ou não. O cidadão é quem decide: há festejos para todos os gostos, da barra pesada aos bailes infantis.

Aqui, salvo a indústria do carnaval, praticamente nada funciona desde o sábado até a quarta-feira de cinzas. A vida comercial para. Bancos, escritórios e shoppings não abrem. No resto da semana a maioria das atividades retorna, mas em ritmo reduzido: muita gente aproveita a deixa para tirar dez dias folga. Não à toa, costuma-se dizer que o ano só começa para valer depois do carnaval.

Quem estiver no Rio nesta época deve, como primeira providência, consultar a programação dos blocos e dos desfiles. É informação fundamental, tanto para quem deseja ir ao encontro da folia, quanto para quem quiser fugir dela.

Dá para usufruir do Rio sem brincar o carnaval, mas só se você não precisar ir muito longe. Com tantos blocos enormes espalhados pela cidade, os transtornos são inevitáveis. A não ser durante algumas horas mortas, os transportes públicos ficam superlotados, e conseguir um táxi vago é tarefa hercúlea. A pessoa pode usar o seu próprio automóvel, mas, além da dificuldade permanente de achar estacionamento, corre o risco de ficar presa nos engarrafamentos, já que várias ruas importantes fecham por causa dos festejos.

E ainda tem que respeitar a Lei Seca, o que significa abdicar de uma cervejinha gelada, justamente aquela que ajuda a suportar o verão. A melhor maneira de resolver o problema da locomoção é andar a pé, o que restringe suas opções a um raio pequeno de distância. De qualquer maneira, a menos que você seja um eremita urbano, o carnaval vai afetar a sua rotina.

O carnaval entra na vida dos cariocas para valer. Na rua, na praia, no supermercado, tudo revela o espírito da festa. Por toda a parte vê-se gente usando adereços, coisas simples como um colar de havaiana ou um arco enfeitado no cabelo. Há sempre fantasias criativas que, com um pouco de imaginação e muito humor, dão o recado. Homens vestidos de mulher e máscaras de políticos são clássicos que não podem faltar. É divertido observar os foliões anônimos e os gaiatos que se revelam nesta época. Haja inventividade! Vale tudo, até fantasia feita de latinha de cerveja – no caso, só não dá para entender como o cara consegue sambar.

Quem brinca o carnaval tem que ter disposição para enfrentar o calor, o tumulto, o barulho e a ressaca. Quem disse que não compensa?

Gosto do carnaval, mas este ano não estou animada, explica-se. E tenho pena de não estar animada. Também se explica. Mas, apesar disso, durante o carnaval só dá para falar de… carnaval.

Boa folia procês! (copyright das minhas editoras, utilizado aqui com a devida vênia)

Para ler mais de Cláudia Valle, clique aqui.

Para comprar o livro mais recente de Cláudia Valle, clique aqui.

Deixe seu comentário