Obamanation

 

saint ObamaEstava eu assistindo ao noticiário ontem à noite, depois de cinco dias trancada no escritório praticamente sem dormir com uma tradução monstro por companhia, quando o convidado de um programa de comentaristas [“talk show”] mencionou a tal “Obama nation” [nação do Obama], conjunto de pessoas enfurnadas nos intestinos do poder que continuam agindo como se os democratas mandassem no país neste momento, e que está, finalmente, começando a ser desvendada (se alguém lendo a minha metáfora tiver pensado em “vermes” não estará totalmente enganado).

Virei para o Alan na mesma hora:

— “Obamanation”, rsrs, muito legal.

— É mesmo. Mas ele nem percebeu o que disse!

— Como assim? A inspiração bateu e o cara nem percebeu?

Como sabem todos os meus leitores, adoro trocadilhos, apelidos, rimas, essas coisas, então, apesar da confusão reinante, tenho me divertido um bocado nessa “Era Trump”. E, vamos combinar, o cenário que está sendo descerrado pela atual onda de “revelações” das investigações secretas que são realizadas rotineiramente pelos comitês do Senado e do Congresso é mesmo de cair o queixo. Em outras palavras, uma verdadeira obaminação, ops, abominação.

Às vezes a gente nem acredita no que está escutando. Mas os documentos estão lá, os depoimentos a portas fechadas, as centenas de mensagens trocadas entre amantes e namorados (em geral casados com outras pessoas, o que já dá uma dimensão de sua moral ilibada) no celular. Parece mesmo que havia uma conspiração, para além de todas as teorias de conspiração, para impedir Trump de chegar à presidência dos Estados Unidos.

Aparentemente, foi usada uma tática muito comum entre os esquerdistas, a de “acusar os outros por suas próprias práticas”. Só que elevada à enésima potência!  Hillary Clinton, com a óbvia e inescapável anuência (e, por que não dizer, ativa colaboração) do sacrossanto Obama, pagou um bom dinheiro para que um ex-agente secreto (demitido) do serviço secreto britânico elaborasse um tal “dossiê” — é a palavra do momento na mídia local — acusando Trump das coisas mais esdrúxulas, baseado, entre outras poucas coisas, em falsas informações advindas de fontes oficiais da Rússia e, pasmem, em artigos já publicados na mídia dos quais o público obviamente já se esqueceu.

Os esquerdistas, vulgo “progressistas”, desesperados para não perderem seu eterno pódio “por cima da carne seca”, estão fazendo o que podem para nos empurrar uma teórica teoria (ops!) de conspiração baseada, ao que parece, numa verdadeira conspiração.

As palavras usadas pelos congressistas em seus relatórios estão lá, mencionadas nas tais mensagens de celular que ninguém consegue apagar: “sociedade secreta”, “missão”, “Potus quer saber de todos os detalhes”. “Potus”, uma espécie de entidade não nomeável, é o acrônimo americano para “presidente dos Estados Unidos”, “President Of The United States”, sacaram? Ninguém mais, ninguém menos, que o sacrossanto Obama (as msgs são de 2016), que até ontem estava a salvo de qualquer envolvimento na enxurrada de escândalos iniciados por uma ordem de uma corte secreta — que só é usada para autorizar a espionagem de agentes estrangeiros considerados perigosos, a infame “FISA” —, pairando como uma espécie de Lula de primeiro mundo no céu da abalada democracia, ainda por ter seu (até hoje) indiscutível carisma reduzido a pó por algum juiz competente e justiceiro como o nosso Sergio Moro. Et voilà. Tudo isso para espionar Carter Page, um cidadão civil americano com alguns negócios na Rússia que, naquele momento, fazia parte nem sei bem como do comitê eleitoral de Donald Trump.

Foi a brecha que eles encontraram para não só tentar impedir a ascensão do republicano, mas também para “garantir” a sua própria, se eternizando no poder da dita “nação mais importante do mundo”. A trama toda é tão bem urdida que parece ter sido escrita por um gênio do gênero crime & mistério, mas, se a gente pensar bem, como todos os fatos estão documentados — inclusive, volto a lembrar, por inapagáveis mensagens de celular —, e nenhum desses congressistas ou senadores é um autor de ficção com proventos bilionários da indústria de entretenimento, a única conclusão possível é que se trata mesmo da verdade.

Li no outro dia um comentário de um ativista querendo fazer a coisa toda parecer ridícula: “Quer dizer que Hillary Clinton pagou uma fortuna por um dossiê que impediria sua eleição só para ter uma desculpa quando perdesse a mesma eleição?”

Ora, o jogo de palavras pode até enganar os mais incautos, mas a verdade muito óbvia é que Hillary não planejava de jeito nenhum perder a eleição em 2016. E, vamos combinar, caso tivesse vencido, nunca teríamos sabido de nada disso, e nossa democracia e liberdade tão brilhantemente respaldadas pela incensada Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão, estariam sendo cada vez mais minadas.

Este é o jogo de cena dos esquerdistas. Hoje mesmo li no jornal que, aproveitando uma brecha na legislação que nem entendo muito bem, o bilionário do mal (mas que se “acha” do bem) George Soros está investindo na possibilidade de um segundo referendo para cancelar o Brexit. Pode isso?

Eles acham que sim. Esse povo “justiceiro” que vive nas ruas reclamando de tudo, exigindo diversidade, direitos para todos e para tudo, inclusive para mudar o sexo de nascimento, e fazendo de um tudo para nos convencer de que isso não apenas é possível, mas também desejável, e deve ser não apenas respeitado, mas também endeusado (verdade, rsrs, o sexo biológico de um ser humano e de outros animais é uma das mais bem boladas invenções do criador, seja ele quem ou o que for, e também uma das mais impossíveis de se reverter, a não ser para uma espécie de peixes, que o faz a seu bel prazer), quero crer, são verdadeiramente bem-intencionados.

Massa de manobra, coitados. E o fazem com gosto, como, por exemplo, tirando a nossa familiaridade com as palavras que sabemos desde que aprendemos a falar. No outro dia, por exemplo, o primeiro ministro certinho do Canadá, aquele que na intimidade apelidei de “Trudeauzinho”, queria que deixássemos de nos referir à humanidade (em inglês, vocês sabem, o idioma universal) como “mankind” [espécie de homem], e passássemos a chamá-la de “peoplekind” [espécie de pessoa]. Ora, primeiro ministro, vá catar coquinho!

No silêncio reinante no olho do furacão, nossas insignificantes vidinhas pessoais continuam sendo vividas, assim como, no silêncio reinante formado no vácuo gerado pelo turbilhão das acusações dos esquerdistas e dos tuítes de Trump, está em curso uma revolução para garantir a nossa liberdade, e não para tirá-la de nós. Tirar nossa liberdade era a missão secreta não deste governo, mas, ao que parece, do governo anterior, ao qual nos rendemos de bom grado e coração aberto. Eu, pelo menos, me rendi, e como estava enganada!

Li indagorinha n’O Globo um artigo ridículo do sempre ridículo Guga Chacra, descrevendo como ele e seus amiguinhos donos da verdade se sentem “aprisionados” num mundo de ficção onde Donald Trump é acusado de todos os males, transgressões e malignidades, numa dimensão que faria vergonha à Caixa de Pandora dos antigos gregos (são tantos os crimes do nosso presidente que dificilmente caberiam numa só pessoa, a não ser que fosse o demônio em pessoa), e, pior, não sai da mídia. Este ponto até que é mesmo verdade, mas é mais verdade ainda que a situação é causada pela própria mídia, em outras palavras, jornalistas desconsolados por ter sido provado que não sabem de nada. É como uma cobra mordendo o próprio rabo e destilando veneno no próprio corpo, entenderam?

Fico torcendo para que todas essas manobras sejam finalmente desvendadas, mas não tenho a menor ilusão de que serão um dia eliminadas. Faz parte da natureza humana se envolver nesse tipo de esquema para sentir-se superior, melhor do que os demais, e também, é claro, para abusar de qualquer nesga de poder público no qual tenham a ventura de pôr as mãos. Vejam, por exemplo, o gigantesco esquema do qual fomos vítimas no nosso Brasil. E essa tal natureza humana, última e infelizmente, tem sido exacerbada por uma dobradinha incontrolável com as redes sociais.

Provavelmente um estado de coisas do qual não nos livraremos nunca mais. Só nos resta torcer, e trabalhar, para nos aferrarmos cada vez mais à realidade incontestável da nossa vida vivida de verdade, longe das telas, telinhas e telonas que expandem seus domínios cada vez mais, tornando-se cada vez mais incontroláveis por seus usuários.

O ser humano é uma espécie maravilhosa, mas, como todos sabemos, sempre damos um jeito de avacalhar nossos avanços. É de amargar.

Foto sem crédito.

https://oglobo.globo.com/mundo/vida-sob-trump-episodio-de-black-mirror-22377039

http://thehill.com/homenews/media/372500-mark-levin-clinton-colluded-with-russia-paid-for-a-warrant-to-surveil-carter

https://www.thetimes.co.uk/article/anti-brexit-campaign-backed-by-george-soros-has-right-to-exist-says-may-but-we-will-leave-eu-s3nvcwlr3

 

 

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