Campeãs nacionais x campeãs invisíveis

 

Campeãs-nacionais-x-campeãs-invisíveis   O BNDES, banco público de fomento a empresas, ainda não teve tratamento semelhante ao da Petrobras, no quesito descoberta de falcatruas. Francamente, a política dos “campeões nacionais”, que teve início em 2007, só serviu mesmo para ser um Robin Hood às avessas: foi muita grana apenas para as grandes empresas que não precisariam de tanto. Neste começo de 2018, o banco anunciou que vai investir mais nas pequenas empresas inovadoras, as chamadas startups, que ganharam a carinhosa alcunha de “campeãs invisíveis”. Esse parece ser o caminho mais acertado, apesar de a metodologia empregada merecer ressalvas.

Desde 2009 existe um fundo, o Criatec, que financia empresas pequenas. Um dado interessante é que o orçamento desse fundo entre 2009 e 2013 foi de R$ 221,3 milhões, que beneficiaram 67 empresas, enquanto a grana desovada nos “campeões nacionais” tem cifras da ordem de R$ 60 bilhões.

Temos que nos lembrar de que boa parte desses bilhões foi direcionada a obras faraônicas em outros países, por meio da Odebrecht, principalmente. As consequências dessa política nefasta estão aí: já levamos calote da Venezuela e de Moçambique, estamos prestes a levar um calote de Angola; e Cuba, que ganhou condições especiais de pagamento, aposto, nos dará um calote lá na frente, questão de tempo. Tudo isso só faz aumentar a dívida pública, estrondosa, e que vamos pagar com o suor e o sangue de nosso trabalho. O déficit orçamentário deste ano promete um rombo maior do que o previsto, devido aos prováveis calotes. Isso sem nem falar na Oi, que está na bancarrota há tempos e, ao que tudo indica, nosso dinheiro escorrerá ralo abaixo rumo ao esgoto das ideias fracassadas e caras.

Voltando ao Criatec, em que pese a notícia seja até boa — investir mais em pequenas empresas inovadoras —, há dois poréns. O primeiro é o que o fundo sempre foi gerido por empresas de investimentos. O interesse delas, obviamente, é faturar. E aí vem o segundo porém: vai se investir nas startups, auxiliar na gestão, fazê-las crescer e, na sequência, vende-las “ao melhor preço possível”.

Que política de crescimento é essa? Quer dizer que o Brasil vai financiar novas empresas e seus produtos inovadores para vende-las justamente na hora de colher os frutos, entenda-se royalties?

Por que o Criatec é gerido por terceiros? Ainda não entendi essa “estratégia”. O BNDES precisa, urgentemente, de uma operação anticorrupção, que vá fundo nas políticas adotadas pelo banco. A podridão, certamente, é grande. Estamos pagando caro e vamos pagar caro de novo no futuro, porque, parece, há algo fundamentalmente errado na ideia desse Criatec.

Imagem: Vindi

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,apos-politica-das-campeas-nacionais-bndes-quer-impulsionar-as-pequenas,70002142089

https://veja.abril.com.br/economia/bndes-corre-risco-de-calote-de-angola-venezuela-e-mocambique/

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