Bang, bong e a importância de se saber a diferença

 

Randi Kaye

Randi Kaye ao vivo na CNN com seu bong, em Denver, dentro do “ônibus da maconha”.

O ano começa, como se diz em inglês, “with a bang”, embora tenha começado, literalmente, “with a bong”.

Vou explicar. “With a bang”, em tradução literal “com um estrondo”, quer dizer com um escândalo, uma possível forma de descrever o novo livro que chegou às livrarias nesta sexta-feira em mais uma ruidosa tentativa de desmoralizar Donald Trump: Fogo e Fúria, que reúne em 336 páginas a completa coleção dos clichês que têm sido imputados a Trump desde que foi eleito, e que atingiu o topo na Amazon antes mesmo de estar disponível para compra.

Fico pensando por que tanto interesse em fofocas sem sentido que já ouvimos um milhão de vezes em todos os canais da mídia “progressista” — no outro dia um amigo me implorou para preservar a beleza desta palavra, cruelmente vilipendiada por sua usurpação pelos esquerdistas, que ainda se intitulam, além de progressistas, “donos da bondade”, apesar das múltiplas e humilhantes derrotas que sofreram no ano passado.

A mais recente dessas derrotas é a onda de frio que está varrendo os EUA, batendo o recorde (negativo, é claro) de temperaturas e quantidade de neve. Aqui em Greenville estamos em média com uns 10 graus a menos que na mesma época no ano passado (em centígrados mesmo, que, por mais que eu tente, não consigo me adaptar aos fahrenheit), e estamos há vários dias direto abaixo de zero. Nevou no norte da Flórida, acreditem, e os pobres iguanas locais, acostumados à temperatura quase tropical, estão literalmente despencando das árvores de tanto frio, e já caem duros, os coitados.

Vamos combinar, essa tal “pequena era glacial” que estão anunciando, e da qual tivemos uma pequena amostra esta semana, não tem graça nenhuma. O frio mata, bem mais que o calor, e no outro dia, quando tentei dar uma caminhada sem roupas suficientes, senti uma dor terrível no peito causada pela entrada do ar gelado nos pulmões e tive que voltar para casa. Mas que dá uma alegria confirmar a certeza de que o aquecimento global de que tanto falam não passa de invenção e ciência manipulada, isso dá.

Voltando ao livro sobre Trump, nem dá vontade de comentar o que está sendo divulgado na mídia. É aquela velha história de que Trump está gagá, não tem saúde (mental) para governar, que seus assessores o consideram uma “criança” e por aí vai. Uma das passagens mais danosas é a que descreve como a filha Ivanka, que parece adorar o pai, faz pouco dele com os amigos explicando a “engenhoca” que ele tem instalada para fazer o penteado esquisito. O autor,  Michael Wolff, que tem uma péssima reputação por “inventar fatos” — já fizeram até outro trocadilho, dizendo que ao dar permissão para que ele frequentasse a Casa Branca, que ninguém sabe direito quem deu, colocaram um lobo, “wolf“, dentro do galinheiro — garante que “100% dos assessores e familiares do presidente o acham pouco inteligente”, e hoje de manhã declarou, imaginem, acreditar que seu livro irá “finalmente, derrubar esse presidente” (o “que todo mundo odeia” ficou apenas implícito).

Sério? Como já dizia Nelson Rodrigues, que, por sinal, era conservador, “toda unanimidade é burra”. E quem quiser acreditar neste livro não é muito melhor.

Outra coisa que chama a atenção é a agressividade com que o ex-principal assessor de Trump, Steve Bannon, que era considerado no início da presidência o “Rasputin americano” (acho que fui eu mesma quem dei esse apelido) e uma espécie de “cérebro por trás do presidente”, ataca o comandante-em-chefe em declarações feitas on the record, quer dizer, com o intuito de serem publicadas, mais uma vez repisando clichês. Haja paciência.

No decorrer do livro, ao que parece, Bannon vai deixando de dizer “se eu fosse presidente” e passando a dizer “quando eu for presidente”. Deu com os burros n’água. Os poucos patrocinadores que havia amealhado para sua suposta candidatura em 2020 acabam de se afastar dele e optar pelo presidente. Quem poderia culpá-los, não é mesmo?

Em resumo, na mídia só se fala nisso, mas, enquanto isso, a bolsa bateu outro recorde esta semana, o desemprego está quase a zero e os gastos dos americanos com o Natal bateram todos os recordes históricos. Mas isso, como todo mundo sabe, é apenas “coincidência”. Ninguém em seu juízo perfeito se atreveria a dizer que o mérito pela economia a todo vapor, que é o que realmente interessa ao americano médio, é do atual presidente. Não faltam também os que se aproveitam da agitação constante para vender manuais de “como escapar da inevitável explosão da bolha da bolsa”.

E quanto ao “bong”? Bem, se você não é do ramo, como eu não sou, saiba que bong é uma espécie de narguilé de vidro usado em geral para fumar maconha. Como o primeiro de janeiro de 2018 seria o primeiro dia em que o Estado da Califórnia tornou legal o consumo da erva para fins recreativos, uma repórter da CNN achou por bem passar o réveillon em Denver, onde o consumo também é legal, e enfocar o assunto ao vivo na passagem de ano, de dentro do “ônibus da maconha”.  A repórter, Randi Kaye, tinha levado consigo uma máscara contra gases “para se proteger” da fumacinha ambiente, mas acabou conectando um bong à máscara e apareceu na tela “num barato total”.

O ultraje foi geral. O outro repórter da CNN que estava em Nova York, Anderson Cooper, apareceu, também ao vivo, tampando os olhos de vergonha.

Na verdade, esse assunto de liberação da maconha não é unanimidade no país de jeito nenhum. Muita gente acredita que a maconha não só faz mal ao cérebro, como que seu consumo liberado aumentou o número de acidentes fatais causados por motoristas drogados, por exemplo. Esta semana, o procurador-geral Jeff Sessions desferiu um golpe na indústria nascente e já bilionária ao cancelar uma determinação de Obama para que as polícias estaduais fingissem que não viam o consumo da droga e sua “exportação” ilegal para fora dos Estados. Tudo isso acontece porque a lei federal ainda proíbe o consumo, enquanto a legislação de alguns Estados liberou geral. Aqui na Carolina do Sul, por exemplo, nem o consumo de maconha para fins médicos é permitido.

Enfim, com o bang deste início do ano e toda essa animação geral com as fake news de sempre, parece que o país inteiro está na verdade com o nariz enfiado num bong.

Aí, senhor: dai-nos sabedoria para saber distinguir uma coisa da outra…

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