É preciso acabar com a Lava-Jato

 

Domingo de sol no Rio de Janeiro.

O Crônicas está de recesso, e, como todo mundo sabe, cabeça vazia é a oficina do diabo.

Vai daí que tem um pensamento circulando na minha cabeça que não quer me largar, já faz alguns dias, então resolvi colocá-lo para fora de qualquer maneira.

Amigos, não se choquem nem me crucifiquem, mas… é preciso acabar com a Lava-Jato.

Deixa eu explicar.

Não estou dizendo que é preciso dar passe livre aos corruptos ou libertar os condenados, Deus me livre, longe de mim. Acho que a Lava-Jato e o juiz Sergio Moro, simplesmente, salvaram o Brasil de coisa muito pior do que isso que está aí, embora, francamente, seja difícil imaginar algo pior.

Bem, poderíamos ter um ataque nuclear… uma peste negra… ou, mais perto da realidade, uma epidemia de dengue ou Zika no nível da gripe espanhola… toc toc toc.

Mas, bear with me for a moment. A Lava-Jato nos salvou e expôs o câncer da corrupção que, sem que a gente tivesse provas concretas, embora pudesse sentir a dor da doença, estava acabando com o Brasil. Ignorávamos a extensão, é verdade, e a gravidade da metástase, mas lá se vão oito anos… sim, conferi, a Lava-Jato começou em 2009, embora a versão atual tenha na verdade começado em 2013. Mesmo assim, já lá se vão quatro anos de um Brasil sangrando em público, a cada dia dessa desgraça expondo graves crimes, e, ao mesmo tempo, minando o pouco que restava da nossa confiança no país.

Não há doente que aguente tratamento tão prolongado, e é fácil perceber que o Brasil está deprimido. Não há um só movimento de otimismo, e, embora seja fácil entender por que, creio que é chegado o momento de começar a trajetória fundo do poço acima, seja como for.

A ideia seria que a Lava-Jato prosseguisse com sua missão moralizadora, mas longe do escrutínio público. Que entregássemos o destino da nossa endêmica corrupção à Polícia Federal da mesma forma como “entregamos a Deus” os problemas com os quais já não podemos lidar em sã consciência.

Ao mesmo tempo, seria vital que novas leis fossem instituídas (eu sei, eu sei, nada disso é possível com este congresso que está aí), e novos controles fossem implantados para evitar que tal situação se repetisse. Parece miragem, mas, vejam, com a transparência da internet e a extensão da obrigatoriedade de que todas as operações sejam monitoradas online, não deve ser assim tão difícil. Afinal de contas, durante a minha vida de empresária vi o Brasil migrar de uma situação em que a papelada se misturava aos cupins no fundo de gavetas a um Ministério da Fazenda com controle (quase) total das atividades das empresas. Mais um pouco e a facilidade de comunicação reinante poderia eliminar as muitas saídas possíveis para quem pretendesse praticar crimes econômicos.

Não vai ser fácil, nem muito menos rápido. Nada é. Mas tampouco seria impossível, a meu ver.

O que não podemos é continuar a abrir o jornal (ou o computador) dia após dia e nos depararmos com um rol sem fim de meliantes nos despojando dos nossos mínimos direitos. E embora se trate de uma purgação necessária, o remédio está prestes a matar o paciente. Se já não matou muitos de nós, ou, ao menos, solapou nossa identidade de brasileiros e nos empurrou para a aventura no exílio, como ocorreu comigo.

2018 será um ano vital para o futuro próximo do Brasil. Mas, caso insistamos (ui!) nesse clima de salve-se-quem-puder, tudo o que vamos conseguir é dar espaço a aventureiros sem um projeto para recuperar o país, pegando carona no desânimo reinante e na nossa sistêmica depressão.

O Brasil precisa reagir. E não quero com isso dizer que o povo precisa ir às ruas protestar contra tudo e contra todos, não, nada disso. O que precisamos é, de um jeito ou de outro, vislumbrar que existem saídas, que a doença foi exposta e tratada, e que está mais do que na hora de esperarmos que entre em remissão.

Embora, é claro, sabem como é, uma vez canceroso, canceroso para sempre, me desculpem a franqueza. Mesmo assim, basta lembrar que é necessária uma revisão regular para monitorar o estado de recuperação do doente e detectar novos tumores assim que apareçam.

No mais, é preciso que o brasileiro volte a encontrar um jeitinho de sentir-se tranquilo que não seja tomar o caminho do aeroporto.

Feliz 2018!

Foto: Férias Brasil.

http://www.mpf.mp.br/para-o-cidadao/caso-lava-jato/atuacao-na-1a-instancia/investigacao/historico/por-onde-comecou

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joel-pinheiro-da-fonseca/2017/12/1945970-ha-bons-motivos-para-apostar-no-brasil-em-2018.shtml

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