Impossível gerenciar

Impossível gerenciar    A empreiteira Camargo Corrêa confessou a prática de cartel entre as empreiteiras para diversas obras, destacando-se as obras de metrô em sete estados e no DF. Por 16 anos! Mas o cartel não trabalhou sozinho. Pelo menos no Rio de Janeiro, a propinagem correu solta, chegando ao ponto de ser “impossível gerenciar”, conforme declarou um dos delatores da Carioca Engenharia.

Cá pra nós, a menos de 15 dias do fim do ano, ainda somos pegos com novas informações de corrupção. Impossível gerenciar tanta notícia de desgraça nesse Brasil.

As principais empreiteiras do país estão envolvidas em praticamente todos os escândalos de corrupção de obras públicas. Acaso? Não, cada notícia que lemos aponta para ações deliberadas, cuidadosamente planejadas, tanto das empresas quanto dos agentes públicos. O motivo é simples e é o mesmo para ambos: enriquecer. As empresas, com obras superfaturadas, o que inclui material de quinta, quando o contratado deveria ser de primeira — assim aumentam o “lucro”. Os agentes públicos se beneficiam de parte desse superfaturamento. A maioria desses agentes são peixões indicados politicamente, mas no caso das obras no Rio, já se sabe que alguns fiscais da prefeitura foram “beneficiados”.

A panelinha dos metrôs, inclusive, brincava com a situação, se autodenominando Tatu Tênis Clube, e cada um deles sustentava o codinome de um tenista famoso. A si próprios não davam codinomes relativos a características físicas, tais como “Boca mole”, “Decrépito”, “Feia” ou “Anão”.

A conclusão é que não são apenas os políticos que nos fazem de palhaços. Grandes empresas também sambaram nas nossas caras por anos a fio. A deficiência do transporte público em todas as grandes cidades do Brasil também é culpa delas.

Será que um dia isso acaba?  Será que a Lava-Jato é suficiente para incentivar práticas honestas tanto na esfera política quanto na empresarial? Temo que a resposta seja “Não”.

As práticas honestas só têm uma forma de ocorrer: com uma limpa no Congresso Nacional e no Executivo, o que significa não eleger ninguém que seja, no mínimo, suspeito. Talvez assim podemos, pelo menos, minimizar os danos.

Políticos e empresários corruptos deixaram nosso país em frangalhos. Retomar o curso não será fácil. 2018 é o ano de nossas vidas: não podemos perder esse trem! Afinal, tem que ser possível gerenciar nosso país honestamente.

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/camargo-correa-confessa-fraudes-em-metros-de-8-estados/

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1944386-odebrecht-confessa-cartel-durante-governos-tucanos.shtml

https://oglobo.globo.com/brasil/camargo-correa-revela-cartel-em-obras-de-metros-de-sete-estados-do-df-22205871

https://oglobo.globo.com/brasil/estava-impossivel-gerenciar-diz-ex-diretor-de-empreiteira-sobre-propinas-pedidas-em-obra-da-prefeitura-do-rio-22206059

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