A perseguição nas universidades federais

 

A perseguição nas universidades federais    A perseguição contra reitores de universidades federais, como a que ocorreu com o reitor da UFSC, culminando em seu suicídio, não é algo novo. Em 2008, estourou um escândalo na UnB, em que se acusava o então reitor, Prof. Timothy Mulholland, de várias irregularidades, entre elas a reforma do apartamento funcional em que morava.

Ainda me lembro desse episódio, e isso simplesmente destroçou a vida do Prof. Timothy. Para piorar tudo, os parcos três meses de Cid Gomes no MEC renderam uma demissão ao Prof. Mulholland, Titular do Departamento de Psicologia, um cientista internacionalmente reconhecido. Tenho cá pra mim que, se não fosse da área de psicologia, talvez o Prof. Timothy optasse por um destino semelhante ao do Prof. Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

Pois bem, o Prof. Timothy foi absolvido de todas as acusações em primeira instância, no ano passado, e reintegrado à UnB. O MPF recorreu, e ontem o ex-reitor obteve a confirmação da absolvição em segunda instância.

Isso significa, unicamente, que o MPF não conseguiu provar as irregularidades de que acusou o ex-reitor. No entanto, sua ação resultou em danos pessoais incalculáveis para o Prof. Timothy e em prejuízo à credibilidade da UnB.

À época, a universidade sofreu intervenção federal. Após alguns meses, elegeu um reitor fraco, em clima de oba-oba, com forte manipulação dos estudantes. A mediocridade do reitor elegeu, para a gestão seguinte, um candidato de oposição que, se não foi brilhante, pelo menos reorganizou a UnB. Atualmente, a atual reitora vem desenvolvendo um trabalho muito bom na universidade, com reconhecimento de todos os professores, inclusive os partidários de seu antecessor.

Uma universidade, definitivamente, não é como um órgão público. Ali é o templo do saber, é onde se gera conhecimento e ensina-o aos jovens, futuros profissionais. Tratar professores como gestores políticos que ocupam cargos em ministérios, além de covardia, demonstra um desprezo pela educação superior de qualidade que é feita nas universidades federais.

Convivo muito com professores de universidades federais. Alguns só não dormem em seus laboratórios porque não podem. Se pudessem, passariam 24 horas do dia, sete dias por semana pesquisando, orientando alunos. Seu conhecimento de execução orçamentária se restringe à compra de equipamentos e insumos de laboratório, passagens e inscrições em congressos científicos e outros gastos menores que, comparativamente aos gastos de um ministério, por exemplo, são ínfimos. Sua maior preocupação, além de fazer Ciência, é prestar contas corretamente às agências de fomento, e vê-las todas aprovadas — sem isso, não recebem outro financiamento para a continuidade das pesquisas que desenvolvem. Assim, é de se supor que um professor que chega à reitoria confiará nos servidores que ali estão.

Portanto, ter um olhar diferenciado para a universidade é mister, porque, ao contrário dos políticos tradicionais, o político universitário tem uma carreira acadêmica que o sustenta e o alçou àquela posição. Em geral, um reitor chega lá por mérito, como foi o caso dos Profs. Timothy Mulholland e   Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/ex-reitor-da-unb-timothy-mulholland-e-absolvido-pelo-stj.ghtml

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2017/12/05/ensino_ensinosuperior_interna,645739/ex-reitor-da-unb-e-absolvido-pelo-superior-tribunal-de-justica.shtml

https://www.metropoles.com/distrito-federal/justica-distrito-federal/stj-nega-recurso-do-mpf-e-mantem-absolvicao-de-timothy-mulholland

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