“Braço forte, mão amiga” de quem mesmo?

 

    Quando a corrupção é sistêmica, não há setor do Estado que escape. Foi descoberto um esquema de desvio de dinheiro público no Exército Brasileiro. Não, os militares não exalam honestidade e não diferem dos civis nesse quesito.  “Exército Brasileiro: braço forte, mão amiga” de quem mesmo? A corrupção é inimiga do povo.

O esquema causou prejuízo de, pelo menos, R$ 150 milhões aos cofres públicos e envolvia 11 pessoas entre civis e militares — bem menor do que o descoberto na Lava-Jato, mas não desprezível. Como os militares têm todo um sistema particular, ou seja, Ministério Público e Poder Judiciário próprios, o caso está em análise pelo STM para verificar se não houve envolvimento de generais. Ao que parece, estão envolvidos três coronéis da reserva, um coronel e dois majores da ativa e mais cinco civis.

Mais uma vez, obras. No entanto, as empresas contratadas para a execução são de fachada, sem a mínima capacidade técnica para executar os contratos que, por sinal, foram feitos sem licitação.

Uma miniorganização criminosa foi descoberta no Exército. Esperamos que seja a única, porque já estamos exaustos de tantos golpes que sofremos dos agentes públicos. Infelizmente, sabemos, de certa forma, que essa nossa esperança é vã. Se cavoucarem, encontrarão corrupção nas outras forças.

Essa notícia demonstra que os militares não estão isentos de práticas corruptas, como muitos pensam. Pelo visto, a casta militar não difere muito da casta política. Também não são iguais ao cidadão comum perante a Lei, já que os tribunais militares e o Ministério Público Militar se ocupam unicamente desse segmento.

Por que os crimes cometidos pelos fardados não são julgados pela Justiça comum? Seria ainda um ranço da ditadura? Será que um sistema judicial próprio não proporciona, involuntariamente, a prática de crimes, tendo em conta que se trata de um grupo fechado?

Em que pese a Justiça Militar exista há mais de 200 anos, o conceito de democracia não sustenta essa diferença de julgamento. Militares ou civis, todos somos cidadãos brasileiros — numa democracia, devíamos estar sujeitos às mesmas condições.

A reforma que nosso Estado precisa é profunda. E uma delas, sem dúvida, é, pelo menos, diminuir os privilégios dos membros das Forças Armadas.

Reforço que as eleições de 2018 serão o grande fiel da balança. Ou afundamos de vez, com mais do mesmo, ou mudamos tudo pelo voto.

Foto: Divulgação/STM

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/12/05/ministerio-publico-militar-denuncia-11-militares-e-civis-por-esquema-que-desviou-r-150-milhoes.htm

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