Nossa liberdade altamente vigiada

 

"Lisa" Middleton

“Lisa” Middleton  é a primeira “candidata” transgênero eleita para uma secretaria “não judicial” na Califórnia.

Se vocês leem o que eu escrevo, devem ter notado que esta semana mudei um pouco meu tom, aqui e no Facebook.

Vou explicar.

É que atingi um limite, gente! Tá certo que tem muita coisa errada neste mundo, inclusive comentários racistas, homofóbicos e contra a diversidade, abuso sexual de mulheres indefesas, abuso sexual de mulheres ponto, e até mesmo, pasmem, “negadores do holocausto” (inclui esta última para vocês entenderem direitinho a minha posição).

Mas não estou mais aguentando toda esta gente sendo acusada e condenada sem nenhum “due process“, como se diz aqui nos Estados Unidos. Gente sendo demitida sumariamente (como tem gente dizendo, não vai sobrar ninguém), tanto por assédio quanto por ter emitido um comentário inadequado NA INTIMIDADE, é, porque não tem mais esse negócio de intimidade, todas as nossas ações e pensamentos e cagadas agora são 100% públicos.

Não pode dar certo. Para nem mencionar que basta um desafeto do passado despejar sua vingança no seio sedento de cliques da mídia para liquidar com a vida do detestado. Pô. Peraí.

Todo mundo emite seu putaquipariuzinho no silêncio de suas casas ao dar uma martelada no dedo, é ou não é?

Mas agora não pode mais. Todo mundo tem que andar na linha, e ainda por cima, compactuar com coisas ridículas como esses homens vestidos de mulher dizendo que são na verdade uma mulher porque se “sentem assim”.

Pois eu me sinto “revoltada” no momento, estão entendendo?

Por exemplo, a tal socialite que nossa editora Vânia Gomes citou na crônica de ontem, e que emitiu comentário racista sobre a menininha adotada pelo casal de artistas. O pai (ops, tive que fazer um esforço para não colocar “pai” entre aspas) foi à delegacia, fez um escândalo e disse que vai botar a tal socialite atrás das grades, mesmo que ela não more no Brasil, e que a filha é “apenas uma criança”. Ele está certo nesta última, trata-se apenas de uma menininha, mas a verdade é que o pai dela está “causando” para fazer sucesso na mídia. A tal socialite pode ser uma idiota, mas criminosa ela não é, e a criança não deve estar nem aí. Já o pai fazendo escândalo está ampliando a “pain in the ass” e multiplicando e eternizando a ofensa à sua filha pela exposição exacerbada na mídia. Daqui a 30 anos, quando a menina for adulta, não vai ser capaz de esquecer a tal ofensa.

Além do mais, se formos encarcerar todos os idiotas deste mundo, não vai ter cadeia que aguente, não é mesmo?

Por outro lado, se formos demitir todos os homens que no passado deram uma passada de mão exagerada na bunda de uma colega ou subordinada, não vai sobrar homem empregado! Queremos isso? Um mundo onde a moralidade exacerbada está obrigando todo mundo, não apenas a se comportar, mas também a mentir o tempo todo? Porque, vamos admitir, todos nós temos nossas falhas.

Eu não ia tocar no assunto, mas depois da LGBTzada dessa semana fiquei verdadeiramente irritada, então vou contar uma história.  Quando eu era mais nova, tive um namorado preto. Ele era psicólogo, muito bonito, eu até contei a história em um de meus livros.

Durou pouco. O rapaz não queria que fôssemos vistos juntos em público, e eu na verdade fazia questão disso. Então, quem seria o racista no caso? Meus amigos, todos gente fina, todos unânimes em me criticar, não pouparam esforços para nos intimidar. Meu analista, a quem eu adorava, a certa altura me perguntou se eu “estava me protegendo”, porque certamente “eu não iria querer ter um filho” com o rapaz de outra cor.

Nem vou gastar meu tempo para comentar que me lembrei no outro dia de ter sido “assediada” por minha chefe homossexual quando trabalhava como estagiária no escritório do Harry Cole, em 1975. Foi chato, mas eu disse para a moça que não era a minha praia e acabou-se a história. Por que não podemos mais lidar como adultos com os nossos problemas, e temos que levar tudo para o Twitter ou para a mídia progressista?

Não dá para entender.

Para mim, é tudo normal, não tem essa coisa de racismo e nem muito menos de homofobia. Mas, como a maioria dos brancos heterossexuais, hoje tidos em princípio como as piores pessoas do mundo até que seja provado o contrário, estou incomodada com esta imposição de pessoas de “gênero incerto” tendo que ser respeitadas em suas peculiaridades, em outras palavras, em suas assunções ridículas. Tenho até feito um “teste de acuidade” para me distrair: olho as fotos de pessoas sendo divulgadas pela mídia, ou pela rede social, e vejo um homem fingindo que é mulher. Não erro uma! Outro dia, imaginem, “captei” uma modelo “transgênero” num editorial da Zara! Vendendo roupa de mulher no site da empresa, acreditem.

Estão fazendo de um tudo para que a gente acredite que isso é normal.

Não é. É maluquice.

Fico o tempo todo me policiando porque, no passado, há mais de 30 anos, tive um melhor amigo gay por muitos e muitos anos e não gostaria de ofendê-lo. Na verdade, esse amigo gay foi meu namorado, e fui apaixonada por ele por dolorosos dez anos, portanto sei uma coisa ou duas sobre homossexuais. Para nem mencionar que a certa altura uns 90% dos amigos que eu cultivava na nossa “turma de artistas” eram homossexuais, homens ou mulheres, então essa coisa de me sentir “uma estranha no ninho” não é nova para mim.

Mas vamos botar os pingos nos iis: homossexuais e outras variações do tema são minoria, não a regra. São gente como todo mundo, têm os mesmos direitos, dores e pensamentos, pecaminosos ou não, mas não têm o direito de nos impor suas manias, sejam quais forem, nem de nos condenar por dizer o que pensamos. Já conquistaram seus direitos que no passado lhes eram absurdamente negados. E pronto, acabou. Por que não se calam?

Enfim, a conclusão é a seguinte: com nossas suposições malucas e malabarismos para conceder a todos a mesma liberdade e um status de igualdade, estamos nos transformando a todos em malucos doentes altamente vigiados.

Está atingindo as raias do insuportável, e isso inclui o pedido de prisão para a ofensora da menininha, o fechamento da exposição em Porto Alegre, a demissão dos abusadores sexuais que nunca cometeram estupro (que é crime) e a obrigatoriedade por lei de acreditar que homem é mulher e vice-versa.

Tudo que é demais, como sabemos, acaba desembocando no seu contrário. E isso está começando a nos acontecer.

A gota d’água, para mim, foi o arcebispo anglicano “rezando” para que o Príncipe George, neto de 4 anos da Rainha Elizabeth, seja gay. Caramba! Trata-se apenas de uma criança!

E apesar de tudo que vemos e ouvimos, duvido muito de que os pais de George, e talvez o próprio George, exultassem por ter um filho gay, ou por ser gay. Isso, vamos combinar, não constitui motivo de orgulho, embora tampouco deva constituir motivo de vergonha ou outra coisa qualquer. Trata-se apenas de um fato da natureza, ou, sei lá, de uma característica de comportamento.

Caso contrário estaremos regredindo à ignorância de certas tribos indígenas de antigamente, que consideravam seus homossexuais ou hermafroditas como “deuses”. Mas ah, vou acabar sendo presa por “me apropriar” da sabedoria indígena e ainda fazer pouco, ao mesmo tempo, dos índios e dos gays.

Danem-se.

Só quero ter a liberdade de dizer o que penso e sinto, e se não fosse metida a escritora, vocês jamais saberiam de nada disso, porque a intimidade de uma pessoa só a ela pertence, no máximo a seus pais, filhos ou companheiro.

Preferir ser branca e heterossexual não faz de mim uma pessoa ruim. E ainda nem comecei a declarar que “tenho orgulho de ser judia” e não entendo o “endeusamento” dos muçulmanos pelos politicamente corretos.

Basta.

Em tempo, dificilmente um governo, ou comitê, ou seja o que for, constituído exclusivamente de gente “queer” será representativo da humanidade. E por falar nisso, conferi o “fofurômetro” da Titi Gagliasso e posso afirmar que nunca vi uma exploração de imagem de criança tão intensa como essa, para nem mencionar a sexualização da menina, mas aí vou ter que abordar também a educação sexual nas escolas com ênfase no transgenerismo e o “tratamento” de crianças de até 5 anos de idade vítimas de “disforia de gênero”. Isso sim, é criminoso.

Pronto. Escrevi.

Bom fim de semana!

Foto Lisa Middleton via Facebook

https://www.buzzfeed.com/ishmaeldaro/stephen-ledrew-suspended-after-going-on-fox-news

http://www.nydailynews.com/news/politics/palm-springs-city-council-queer-article-1.3620075

https://extra.globo.com/famosos/titi-filha-de-giovanna-ewbank-bruno-gagliasso-alvo-de-racismo-22116918.html

http://www.ofuxico.com.br/kids/noticias/titi-faz-o-fofurometro-explodir-com-fantasia-de-halloween/2017/10/27-306230.html

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1 Resultado

  1. Ana Bailune disse:

    Uma crônica corajosa que poderá render algumas ofensas e más interpretações. Concordo com tudo – menos com uma coisa: a mulher que ofendeu a Titi merece uma punição. Não sei se seria cadeia. No mais, também já me cansei de tanto mimimi e vitimização. Me senti bem ao ler sua crônica.

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