Eleitores, decidam em silêncio e surpreendam com o voto

 

Eleitores decidam em silêncio e surpreendam com o voto  Certamente nos próximos seis meses a população brasileira verá um desfilar de situações políticas absolutamente ridículas, burlescas.

Trinta e cinco partidos políticos estão em atividade (muito cuidado: mais 69 estão em formação) — um emaranhado de siglas que nada dizem, visto que nenhuma tem perfil definido e sólido. De acordo com a conveniência momentânea, firmam as mais heterodoxas coligações. Esta é a pseudodemocracia brasileira, que atualmente está à caça de um nome de candidato à Presidência da República que consiga pescar eleitores suficientes para consolidar uma certa expectativa de poder.

Em regra, escolhem um nome e jogam suas linhas por meio dos institutos de pesquisas, para ver como os eleitores reagem, se mordem ou não a isca lançada. Dependendo do resultado, investe-se ou não na pré-candidatura.

Com muitas siglas e nomes com históricos enredados pelos inquéritos produzidos pelas operações policiais em curso, uma pré-candidatura com expectativa de poder pode significar muita coisa, inclusive um passaporte para muitos outros políticos que devem tentar suas reeleições em 2018 para, pelo menos, desfrutarem do foro privilegiado e continuarem gozando da tradicional impunidade garantida pelos tribunais superiores.

Neste contexto, a escolha de um potencial pré-candidato, em grande medida, está seguindo a lógica do espetáculo de resultado. A população está insatisfeita com os políticos? Então, vamos buscar alguém que até hoje não foi político e oferecer ao povo como alternativa. De preferência, alguém que os morubixabas dos partidos políticos consigam empacotar e vender como pessoa bem-intencionada, com certa capacidade administrativa, disposta a botar ordem na bagunça e trazer progresso para esta nação que padece com o atraso e a desigualdade social.

A figura do futuro presidente da república está sendo vendida aos brasileiros, por diversos caciques políticos, como uma possibilidade de termos um D. Sebastião desembarcando no Brasil e não em Portugal. Fala-se do futuro presidente como um novo messias que chegaria para tirar o país do caos político e econômico e conduzi-lo rapidamente ao desenvolvimento. Essa estratégia, em um país cristão/ português, que se afeiçoa muito facilmente ao discurso messiânico, tem tudo para engambelar a sociedade e dar bons resultados.

Entretanto, o que pode ser um bom resultado para os políticos e partidos políticos enrolados em investigações por prática de corrupção, seguramente representará um desastre para a população.

A escolha de um pré-candidato à Presidência da República deveria ser pautada, inicialmente, pela análise do currículo político e profissional do postulante, bem como de sua ficha corrida policial.

Após esse primeiro crivo, dever-se-ia verificar o que pensa esse pretenso pré-candidato sobre os principais problemas que a sociedade brasileira enfrenta.

Seguramente, a dívida pública brasileira e a política de juros são problemas de primeira ordem e grandeza. Nos últimos anos, tanto a administração da dívida pública como a política de juros levaram o Brasil ao seu maior endividamento e à total incapacidade de investimento. O próximo presidente da república precisará enfrentar o excesso de ganância do sistema financeiro — que nos últimos anos simplesmente capturou o orçamento da União —, bem como os definidores da política monetária. As últimas administrações do Banco Central e do Ministério da Fazenda deveriam, no mínimo, pedir desculpas à sociedade brasileira e reconhecer seus erros ou, quiçá, sua má-fé.

Entretanto, os caciques partidários não permitem que suas iscas eleitorais falem de forma crítica sobre a dívida pública e a equivocada política de juros, visto que desagradariam ao sistema financeiro e, consequentemente, poderiam comprometer a viabilidade de qualquer neófito postulante a uma pré-candidatura. Cabe também observar que muitos postulantes, mesmo se fosse permitido, não teriam conhecimento para abordar esses temas, o que por si só já deveria descredenciá-los.

A racionalização da máquina administrativa, inclusive a forma de funcionamento e composição das agências reguladoras, bem como o aperfeiçoamento e o fortalecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, são temas sobre os quais o futuro presidente da república também deveria ter opinião clara e objetiva, pois são fundamentais. Entretanto, a racionalização da administração pública tem potencial para desestruturar o sistema de governo baseado na fórmula do toma lá dá cá que está vigorando no Brasil. Mas isso não agrada aos dirigentes dos grandes partidos.

Nesse momento de trevas políticas em que estamos vivendo, seria muito prudente que os brasileiros não manifestassem em qual candidato pretendem votar. Esses grandes partidos políticos, que levaram o Brasil à bancarrota, ao estado falimentar que hoje está, não merecem receber esse tipo de informação dos eleitores. Deixem seus dirigentes baterem cabeça. Apenas analisem os nomes e digam que não decidiram.

Avaliem ao longo de 2018 o comportamento, o histórico e as propostas dos candidatos apresentados, decidam em silêncio e surpreendam com o voto.

Seguramente, o silêncio dos eleitores ao longo da campanha em 2018 seria uma tortura para diversos políticos; as iscas políticas não funcionariam e teriam que trabalhar no escuro. Em um cenário assim, a lógica do espetáculo não funcionaria, e certamente teríamos um outro tipo de eleição. O eleitor brasileiro precisa aprender a guardar segredo sobre suas pretensões.

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1 Resultado

  1. Ana Bailune disse:

    Estamos lascados… eu já tenho um candidato, e ele é o único que conheço que tem ficha limpa e uma proposta na qual acredito. Acho que é um voto de esperança (ou de desespero). Se nada der certo, meu próximo voto será nulo, como tem sido.

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