Rita Lee

 

Rita Lee   Não sou crítica literária, leio pelo prazer de ler. Aliás, ler, desde que me entendo por gente, é o meu grande barato. Sei que isto não faz de mim nenhuma entendida em literatura, mas este hábito me deu alguma experiência para detectar livros que realmente valem a pena.

Não vou entrar em nenhum papo-cabeça. Muito pelo contrário, vou entrar num papo-coração. Há tempos não tinha o prazer de uma leitura tão afetuosa quanto a autobiografia de Rita Lee.

A escritora Lucia Bettencourt, de cujo fã-clube sou presidente, me indicou esse título numa conversa rápida. Comprei-o, dei um jeito de trazê-lo para Portugal e me embeveci com a leitura.

Fora os altos e baixos da vida da “musicista”, como ela mesma se define, relatados com algum sarcasmo, vitimismo e coitadismo zero, a vida de Rita Lee surpreende para quem, como eu, só conhecia a imagem transgressora.

Terminei o livro com a sensação boa de ter viajado numa linda história de amor. Escrevendo despretensiosamente, Rita Lee revela, nas entrelinhas, muito amor pela música, pela arte, por ela mesma. Apesar dos inúmeros boicotes existenciais que relata, fiquei com a sensação de que a supostamente conturbada roqueira pirava por tropeçar na própria delicadeza, porque a sua alma de algodão-doce não resistia a chuvas e trovoadas.

São 269 páginas de fotos de arquivos, lembranças da família e da carreira e algumas histórias dos bastidores da MPB. Mas o que me tocou mesmo foi a sua simplicidade diante do amor que a rodeia e sempre rodeou. Amor pela sólida e sempre presente família de origem e as suas agregadas. Amor pelo homem, companheiro de vida inteira. Pelos filhos que ambos tiveram, pela neta que a emociona ver crescer. Amor pelas músicas, pelos discos, pelos shows, pelos bichos que Rita recolheu e ainda recolhe pelo caminho. Amor pela vida, enfim.

Somos da mesma geração. Acompanhei ao vivo e em cores seus sucessos, seus surtos, suas internações, seus discos, cada um melhor do que o outro. Não imaginava Rita Lee assim, tão amorosa.

Se fosse dada a egotrips, afirmaria que o único defeito do livro é um subtexto inimaginável, escrito apenas para mim: “Angela, que vidinha de merda a que você levou…”

Foto: Nação da Música

Para ler mais de Angela Dutra de Menezes, clique aqui.

Para comprar o livro mais recente de Angela, clique aqui.08

Deixe seu comentário