Uma aristocracia política corrupta e maléfica ao Brasil

 

Uma aristocracia política corrupta e maléfica ao Brasil   O Brasil é um país onde predomina a baixa renda e a pobreza. Os números são assustadores. Aproximadamente 1/4 da população brasileira está cadastrada no programa Bolsa Família, cadastro onde figuram famílias que estão na pobreza e na extrema pobreza, e outro 1/4 está na faixa dos que sobrevivem com até um salário mínimo de renda mensal.

O contingente de pessoas que sobrevivem nas periferias de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza daria para povoar um grande país. As condições são as piores, com privações de toda ordem. Mas se nas grandes cidades a pobreza assola as periferias e as gerações que ali habitam, no interior do Brasil a vida em pequenas cidades não está fora do alcance de miséria tão ou mais ousada e impetuosa. Inclusive, muitos moradores das periferias das grandes cidades são migrantes do campo e das pequenas cidades desassistidas do interior. Muitos até fazem o balanço das duas realidades e a opção, em regra, é pela beirada das grandes cidades.

Nesse cenário nada promissor, onde a economia, dependendo do ciclo doméstico e da benevolência internacional, insiste destinar um pouco mais de prosperidade para apenas 20 ou 25% da população, encontrar uma oportunidade para fugir do destino bárbaro reservado àqueles a quem a miséria abraça é loteria.

Muitos estão encontrando esse caminho na emigração, fazendo a trilha inversa dos ancestrais europeus e asiáticos ou até mesmo cerrando fileiras com habitantes de países jovens e promissores como Canadá e Austrália.

Outros, para a infelicidade da grande maioria dos brasileiros, identificaram que a proximidade com o orçamento público poderia representar uma vacina, até mesmo hereditária, contra as enfermidades duradouras que a miséria transmite aos seres humanos quando neles toca.

Esse orçamento público, de forma concreta e objetiva, não é outra coisa senão as contas bancárias para onde é destinado o dinheiro que todos os brasileiros pagam diariamente na forma de impostos. São contas bancárias opulentas, abastecidas diariamente, que deveriam ser utilizadas de forma honesta e eficiente para fornecer à população, por exemplo, a estrutura necessária para adquirir um padrão educacional tal que permitisse a todos uma preparação homogênea, criando um ponto de partida equilibrado.

Todavia, não é isso que ocorre. Esse orçamento público cada dia mais é visto como uma apetitosa bola de presunto pendurada, pouco vigiada, e aquele que for mais esperto e mais hipócrita pode se posicionar ao lado dela, só ou com alguns familiares, e sempre que a oportunidade aparecer ou for construída, lançar mordidas certeiras ao petisco e robustecer o patrimônio pessoal e familiar. Uma vez bem posicionado, constrói-se o feudo dentro da medieval democracia brasileira.

Essa mentalidade criou uma cultura trágica para a sociedade brasileira, que se manifesta das mais variadas formas tanto em um município paupérrimo do Maranhão quanto na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Por que um vereador de uma cidade brasileira precisa ser remunerado? Não deveria ser um cargo reservado àqueles que têm espirito público e gostariam de contribuir com a administração do município, especialmente fiscalizando a forma como o prefeito e seus auxiliares aplicam o dinheiro público? Evidente que não deveria ser remunerado. Só essa mudança já afugentaria da política local muitos oportunistas que buscam um salário que não encontrariam na iniciativa privada, bem como um espaço para fazer negócios escusos. Seguramente, em curto espaço de tempo, as Câmaras de Vereadores seriam ocupadas por pessoas com mais afinidade com a população e com maior compromisso com o desenvolvimento e a organização do município. Essa mudança na província logo se refletiria nas escolhas das representações políticas estaduais e federais.

Por que deputados, senadores e ministros de estado precisam, por exemplo, ter foro privilegiado? Seguramente não devia ser assim. Deveriam, sim, ser investigados e julgados como qualquer outro cidadão. Além de privilégios dessa natureza, o número de deputados estaduais, federais e senadores constitui um grande exagero, uma afronta ao bom uso do dinheiro público. Cabe ainda observar que a concorrência para esses cargos padece do mesmo mal que acomete a disputa para as Câmaras de Vereadores, ou seja, faltam pessoas com espirito público. Sobram oportunistas. Salvo raras exceções, predominam aqueles que cada dia mais almejam ficar mais e mais próximos do controle dos orçamentos públicos, não para zelarem pelo seu bom uso, mas sim para encontrar o atalho para garantir uma vida opulenta sem precisar de muito esforço no mercado de trabalho.

A forma com que as instituições da União e dos entes federados foram capturadas por aventureiros inescrupulosos constitui uma tragédia para a nação brasileira. A avidez com que se lançaram para abocanhar o dinheiro dos orçamentos públicos, chegou ao ponto de exaurir os cofres e a capacidade da sociedade de pagar impostos.

Nesse país onde grande parte da classe empresarial séria trabalha para pagar impostos e juros para o sistema financeiro, parcela significativa da aristocracia política teve a ousadia de fabricar grandes empresários. Transformaram celerados em empreendedores de sucesso para com eles firmarem parcerias, com o objetivo de facilitar o desvio de dinheiro dos orçamentos públicos em benefício das quadrilhas organizadas. O Rio de Janeiro e o Governo Federal são exemplos.

O que acontece no mais pobre município brasileiro, onde alguns desviam até dinheiro destinado à compra de merenda escolar e medicamentos, ocorre de maneira semelhante na mais alta administração dos três poderes da União.

Nesse jogo asqueroso que se tornou a democracia brasileira, aos tribunais superiores foi reservado papel igualmente repugnante, que é o de dar guarida e garantir a perpetuação da aristocracia política corrupta que está bem posicionada nas esferas de poder e ao lado dos orçamentos públicos. Todos têm foro privilegiado.

Assim, fechou-se o círculo do poder e quem dele faz parte certamente continuará desfrutando, sem muito esforço, das benesses que o dinheiro de impostos pagos por milhões de brasileiros pobres proporciona à aristocracia corrupta já cristalizada na República. Esta é a nossa idade média, a idade das trevas brasileira.

Charge: Nani

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