A Escrava Isaura do século 21

 

A Escrava Isaura do século XXI    O namorado de Fátima Bernardes poderia ter sido o assunto do feriado. Não fosse outro lindo desviar a atenção. Ou melhor, linda. Luislinda.

A essa altura, todos já devem estar a par do ocorrido. Aproveitando-se do clima de alma penada, Luislinda agiu na surdina. Elaborou um requerimento com mais de 200 páginas e o apresentou ao governo às vésperas de o país renunciar ao mundo por quatro dias.

Tão esperançosa quanto uma criança desenhando uma cartinha para o Papai Noel, escreveu ao governo na tentativa de acumular o salário de Ministra dos Direitos Humanos e o de desembargadora aposentada, o que lhe garantiria um salário de R$ 61,4 mil por mês. Como ganha apenas R$ 3.292 como ministra por causa do teto do funcionalismo, disse que estava sendo vítima de trabalho escravo.

Mas a feijoada azedou. O jornal O Estado de S. Paulo publicou o assunto, e em poucas horas Luislinda viu seu sonho de princesa murchar. Antes do fim do dia, já era abóbora. Foi obrigada a voltar atrás.

Em vez de “esqueçam o que escrevi”, optou pelo caminho a que está mais acostumada: o da vitimização. Mulher, negra, pobre e coitadinha, perguntou à Rádio Gaúcha: “O Brasil está sendo justo comigo?” “E como é que eu vou comer? Como é que vou beber? Como vou me calçar?” À CBN, apelou ainda mais: “É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação. Se eu não me alimentar, eu vou adoecer e aí vou dar trabalho para o Estado”. De fato, Luislinda está bem magrinha. Chega a dar pena de tão patética.

O recém-revelado talento dramático poderia lhe render mais um ministério, o “Poker Face Ministry”, o “Actor´s Studio Ministry” ou algum do mesmo nível e importância do que ela chefia hoje.

A cada reportagem publicada sobre assunto, o caldo de Luislinda só desanda. Assiste, inclusive, à sua biografia ser desmascarada.

Em fevereiro, a Folha de S. Paulo mostrou que a ONU diz não existir um título que foi atribuído a ela em biografia divulgada pelo Palácio do Planalto. Segundo o governo, ela teria sido condecorada pela ONU com a homenagem de “embaixadora da paz”. Na verdade, o que Luislinda recebeu foi o título de uma ONG fundada por um líder religioso coreano chamada Federação para a Paz Universal.

Luislinda também jura que foi a primeira magistrada negra do país, título protestado pela juíza aposentada Mary de Aguiar Silva, de 91 anos.

Acreditem, Luislinda assumiu o ministério em fevereiro, e até hoje tem sido explorada como escrava. Já faz quase um ano que ela sofre calada, se virando sabe-se lá como para dar de comer aos entes queridos na Bahia.

Onde termina a defensora dos oprimidos e onde começa a vigarista? Se ainda resta alguma vergonha nessa cara, demita-se, Luislinda. Faça esse favor ao Brasil. Mais algumas semanas de apuração e correremos o risco de descobrir que você é filha do dono da Gol. Ou que, assim como Bel Pesce, também tem cinco diplomas no MIT.

Até os deuses reprovaram o comportamento de Luislinda. Padre Fábio de Mello escreveu no Twitter: “Nossa fábrica de deboches continua trabalhando a todo vapor. A ministra deveria ser enviada aos recônditos do país, aos lugares onde os professores exercem seus ofícios recebendo salários de miséria. Professoras que viajam horas em canoas, dando aulas em locais improvisados, recebendo quase nada. Puro respeito e amor às questões humanas”.

Está claro que Luislinda não precisa de maquiagem. Precisa mesmo é de óleo de peroba.

P.S.: O namorado da Fátima: procurem por Túlio Gadêlha no Google.

Foto: Cedoc/TV Globo

Para ler mais de Tatiana Rezende, clique aqui.

Para comprar o livro mais recente de Tatiana Rezende, clique aqui.

 

Deixe seu comentário