Quem quer ser presidente?

 

Quem quer ser presidente     Pergunta: “Você tem vontade de entrar na vida política?”. Resposta: “Hoje em dia, nenhuma. Quem sabe com 45, 50”. Esse é Luciano Huck, numa entrevista para a revista Trip, em 1999. Na época, tinha 27 anos. Façam as contas.

Destino, profecia ou promessa, o fato é que hoje, aos 46, Huck já é candidato à presidência.

Em artigo publicado esta semana no jornal Folha de S. Paulo, ele deixa claríssimo o objetivo ao afirmar que quer e vai participar do processo de renovação política do país. Ele crê que a “fratura exposta” que comprometeu a estrutura política “pode ser uma das maiores oportunidades para abrir um novo ciclo na história da República, ressignificar nossas instituições e, principalmente, reorientar os valores e princípios daqueles que querem servir”.

Em certo trecho, faz charminho, dando a entender que ainda está sendo convencido: “Continuo achando que, de onde estou, fora do dia a dia da política, minha contribuição pode ser mais efetiva e relevante”.

A verdade é que só falta acertar o partido. Enquanto a imprensa fala que ele está em negociações avançadas com o DEM, as más línguas dizem que ele conversa até com Marina Silva.

No início de outubro, a Veja publicou o resultado de uma pesquisa feita pelo Ideia Big Data. O instituto quis saber em qual nome fora da política as pessoas votariam. Dentre os 3.000 entrevistados, 34% elegeriam Joaquim Barbosa e 31% Luciano Huck. À exceção de sua (ex) amizade com Aécio e o ato falho de ter feito uma selfie no cabeleireiro sem perceber que um cigarrinho suspeito vazara no espelho, pouco desabona Huck.

O apresentador reúne todas as características de novo messias. É um empresário de sucesso, tem uma família Doriana, um irmão homossexual, namorou belas mulheres (Ivete Sangalo, Eliana Dedinhos), saiu ileso de um acidente de avião que quase custou a vida da família e conseguiu entrevistar Madonna dentro de um banheiro.

Assistencialismos à parte, é inegável que Huck é um empreendedor. Aos 14 anos, já vendia camisetas no colégio e escrevia uma coluna na revista Playboy —seu padrasto era diretor de redação. Aos 21, conquistou sua independência financeira e aos 25, estreou na TV com seu “H”, na Band. Daí pra frente, foi um sucesso após o outro: lançou o fenômeno Tiazinha e hoje traz grandes anunciantes para seu programa na TV Globo.

Se Dória se elegeu prefeito demitindo pessoas na TV, imaginem onde Huck pode chegar reformando latas-velhas e dando casas.

Com a batata de Dória cada vez mais assada por causa de sua sede pelo poder, malcriações (com Alberto Goldman), traições (Alckmin), egocentrismo e ausência, Huck corre por fora e vem de bandeja para eleitores e partidos carentes de novos nomes. Com ou sem candidatura formalizada, pessoas que conheço declaram voto em Huck.

Dória já está com maçã na boca. Os convidados estão chegando, o banquete está sendo preparado. A festa vai ser boa.

Imagem: Pawel Kuczynski

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1 Resultado

  1. Joubert disse:

    Numa eventual candidatura a presidente, quem será seu principal cabo eleitoral? O grande amigo Aécio Neves?