Sergio Moro: humildade, seriedade e apuro analítico

 

Sergio Moro_humildade, seriedade e apuro analítico  Maravilhosa a entrevista do Juiz Sergio Moro ao jornalista Gerson Camarotti. Nela, vemos um cidadão cioso de seus deveres e um juiz humilde, que sabe que é parte da engrenagem de combate à corrupção, não um herói. Em suas respostas, transparecem a seriedade e o apuro na análise da situação do país, especialmente no que diz respeito à corrupção e impunidade, nossos maiores problemas.

A entrevista foi focada, principalmente, no combate à corrupção. Moro deixa claro que não podemos nos iludir que a Operação Lava-Jato vai acabar com a corrupção. Isso porque é necessário que os agentes públicos, notadamente os representantes eleitos pela população e que ocupam cadeiras no Parlamento, se mexam, no sentido de aumentar o rigor da legislação para os casos de corrupção. Contudo, vemos uma movimentação contrária: os legisladores têm trabalhado para favorecer a impunidade. Por exemplo, tramita na Câmara dos Deputados o PL 4372/2016, de autoria do Deputado petista do Rio de Janeiro, Wadih Damous. O dito projeto modifica alguns artigos da lei contra organizações criminosas (Lei 12.850/2013), justamente aqueles que dizem respeito às colaborações premiadas, impondo, inclusive, que o colaborador não pode estar preso para firmar acordo.

Sobre este tema, o Moro deixou claro que a maioria dos acordos firmados foi com os criminosos soltos. E que a motivação para a delação é a existência de provas contundentes contra si, estando o elemento preso ou não. No entendimento do Juiz Moro, o instituto da delação pode ser aperfeiçoado, mas não desvirtuado, que é o que se propõe.

Também discutiu acerca do foro privilegiado, sugerindo que a aplicação deste instituto foge à intenção constitucional. Como já comentamos em outra ocasião aqui no Crônicas da KBR, o for privilegiado está completamente desvirtuado e se tornou um instrumento de impunidade. Precisa ser revisto urgentemente.

Sergio Moro não diz categoricamente que cabe à população a imensa responsabilidade de acabar com a impunidade, mas ao dizer que compete aos representantes eleitos pelo povo diminuir os incentivos e oportunidades de corrupção, reafirma que a única forma de mudar o status quo é o voto popular. Essa responsabilidade é de todos nós. E, sabendo do esforço de nossos parlamentares para manterem a impunidade, precisamos encontrar candidatos que trabalhem pelo bem comum, não por seus próprios interesses.

Recomendo fortemente a leitura da entrevista. É esclarecedora e nos dá esperança nesse mar de insanidade que toma conta do nosso Brasil.

Foto: Paraná em Foco

http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/lava-jato-foro-privilegiado-prisao-apos-2-instancia-veja-integra-da-entrevista-com-sergio-moro.html

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