Portugal em chamas

 

Portugal em chamas    Portugal é a minha casa. Acolhe-me com afeto, respeito, segurança e carinho. Sinto-me muito feliz aqui. Amo este país. Para mim, é o melhor lugar do mundo.

Compartilho a dor de Portugal que, desde a tarde de domingo e durante todo o dia de ontem, enfrentou mais de quinhentos incêndios violentos. Chamas enormes destroem aldeias inteiras, fecham estradas, já mataram quase 40 pessoas. Há dezenas de desaparecidos. Os bombeiros não dão conta da força do fogo. Um incêndio é apagado aqui, surgem outros lá e cá. As imagens da televisão emocionam. O governo decretou estado de calamidade pública. A verdade é que a tragédia está fora de controle.

O povo se movimenta, ajuda, faz o que pode. O que eu posso é escrever e testemunhar o horror de ver este lugar tão lindo se transformando em cinzas. O que posso é me solidarizar porque aqui também é meu país, aqui vive grande parte do meu coração.

A cidade onde moro, Vila Nova de Gaia, está coberta de fuligem e de fumaça. O cheiro de queimado incomoda e preocupa. Ventos fortes — no domingo, por causa do furacão Ophelia —, temperaturas anormalmente altas para a época e uma seca que há mais de oitenta anos não era registrada favorecem que as chamas sejam incontroláveis e se espalhem rapidamente.

Nunca havia visto nada parecido, estou triste.  Minha mãe dizia que a casa da gente é uma espécie de útero, que nos acolhe e protege. Muitas, muitas pessoas perderam para os incêndios este lugar único de aconchego e de conforto. Estão abrigadas em ginásios, escolas e igrejas. Caladas, sem lágrimas, em estado de choque.

Escrevo com muita emoção, torcendo para a tão ansiada chuva — sempre anunciada, mas teimosa em não aparecer — caia logo para devolver a paz e a felicidade a um país que é sinônimo destas palavras: Portugal é paz e é felicidade.

Rezo para que o fogaréu seja controlado rapidamente.

Portugal não merece tanta dor.

Foto: Internet, sem atribuição de autor

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