Sinônimos

 

Sinônimos   O cerco está se fechando para Carlos Nuzman e seus comparsas do Rio de Janeiro. Ontem, o Juiz Marcelo Bretas decretou a prisão preventiva do ex-todo-poderoso-presidente do COB e do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016. Segundo o Juiz Bretas, a atuação de Nuzman não é isolada, mas faz parte de um esquema de corrupção implantado cerne do Estado do Rio de Janeiro. A novidade é que agora existem provas — sempre soubemos que no Brasil, a realização de obras de infraestrutura é sinônimo de propina.

O curioso disso tudo é o advogado de Nuzman, que declarou que o defende por razões humanitárias. Desde quando razão humanitária virou sinônimo de troca de favores? É sabido que o mesmo escritório foi contratado pelo COB para as Olimpíadas. Convenhamos, se o contrato deste advogado depois das Olimpíadas foi de R$ 5,5 milhões, quanto terá sido antes e durante o evento? Portanto, parece que humanitarismo pode ser sinônimo de amizade, dívida de gratidão, toma lá dá cá, entre outras coisas menos nobres. Gostaria de saber se, humanitariamente, esse escritório defende cidadãos que roubam para comer, já que vivem na miséria e alimentar-se é um direito básico de qualquer ser humano.

Como comentei na crônica da última sexta, podemos suspeitar daqueles que se perpetuam em um cargo de destaque e decisório quanto à movimentação de dinheiro. E, neste caso, mais ainda: dirigentes de federações esportivas não recebem salário, acho que nem um simples pró-labore. Trabalhar de graça nessas entidades é tido como sinônimo de amor pelo esporte. Mas ninguém vive de vento, certo? Arthur Nuzman é multimilionário; parece impossível ter adquirido toda essa grana com seu trabalho “voluntário” no COB.

Vamos nos lembrar de que a operação Unfair Play é um desdobramento da Lava-Jato. Portanto, é bem possível que os esquemas de corrupção ultrapassem o Estado do Rio de Janeiro e estejam entranhados na esfera federal também. É provável que Nuzman tenha sido o elo entre as corruptas autoridades brasileiras e os integrantes do COI, que votaram no Rio de Janeiro. Ou alguém acha que os mandachuvas do governo federal dariam R$ 2,0 bilhões de graça?

O povo brasileiro, para esses corruptos, é sinônimo de massa de manobra para referendar suas ações criminosas, por meio do voto popular. Somos sinônimo de palhaços, bobos alegres que vamos às urnas achando que somos nós quem definimos os rumos do país a cada eleição. As eleições, por sua vez, estão virando sinônimo de jogo de cartas marcadas, que privilegiam quem já detém algum poder. Eleição não significa mudança, e democracia está virando sinônimo de perpetuação no poder. Até quando?

Foto: Carlos Magno, in O Globo

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/compra-de-votos-para-rio2016-faz-parte-de-um-esquema-bem-maior-diz-bretas/

https://oglobo.globo.com/esportes/nuzman-tentou-que-rio-2016-pagasse-55-milhoes-seu-advogado-comite-autorizou-recuou-21927930

http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,escritorio-citado-pelo-mpf-diz-que-faz-defesa-de-nuzman-gratuitamente,70002036259

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