Outra vez Lisboa

 

arquitetura portuguesaEstive novamente em Lisboa. Assim que cheguei, fui diretamente, sem delongas, para a Casa Museu Amália Rodrigues, que estava nos meus planos desde sempre, porém nunca conseguia conciliar o horário de visitas com os meus.

Adorei! A casa, pasmem, é de 1680, mas passou por sucessivas reformas e tornou-se bastante confortável. Amália Rodrigues morou lá desde os anos 1950 até sua morte, em 1999. Os móveis e a decoração são da própria Amália, incluindo os vestidos, alguns dos quais ela mesma desenhava; e uma costureira, a quem alugava o terceiro andar do prédio, confeccionava. Mesmo os seus arranjos de flores foram mantidos. Mais do que um museu, é uma casa de verdade: sente-se o estilo de quem viveu lá. Para quem gosta de fado, é imperdível.

Em Lisboa existe igualmente o Museu do Fado, que não conheço. Fica para a próxima, porque Lisboa é uma cidade para onde se retorna: aconchegante, bonita, mais barata que o resto da Europa, e ensolarada, mesmo em outubro, quando já é outono.

Lisboa está lotada de turistas. Os lisboetas reclamam dessa invasão, mas o turismo tem levado divisas para o país, e isso é bom. A quantidade de brasileiros é enorme, escuta-se nosso sotaque por toda a parte. O fenômeno não se restringe aos visitantes, nem à capital, porque muita gente está indo para Portugal em busca de uma vida melhor.

Para a próxima fica também o recém-inaugurado mirador de vidro, instalado em um dos pilares da ponte 25 de abril, um desses em que parecemos estar flutuando no espaço. Não serve para quem sofre de vertigens, mas já coloquei na minha lista de coisas a fazer. Afinal, é outro pretexto para voltar.

Quem vem a passeio, se andar a pé pela cidade, vai acabar encontrando edifícios lindos. Um exemplo é o moderno prédio de escritórios da EDP (a companhia de energia elétrica), perto do Mercado da Ribeira. A mesma EDP inaugurou, há cerca de um ano, um museu novo, o MAAT, cuja arquitetura é espetacular. Ao lado, encontra-se a antiga fábrica de energia, que também é um museu e merece ser visto. A mesma entrada dá direito aos dois museus.

O MAAT é na beira do Tejo, na área de Belém, que é repleta de atrações clássicas, como o Mosteiro dos Jerônimos, o Museu dos Coches e a Coleção Berardo. Dificilmente se consegue ver tudo em um único dia. Sem falar nos famosos pastéis de Belém, ou de nata, que são bons, mas longe de ser o melhor da doçaria portuguesa.

As filas para comprar entrada para os Jerônimos são imensas. Uma dica: compre na bilheteira do Museu de Arqueologia (em Portugal bilheteria chama-se bilheteira), que é contíguo ao mosteiro. Eles têm menos movimento, vendem o mesmo ticket combinado do mosteiro e do museu, e, de quebra, você aprende um pouco sobre a arqueologia em terras portuguesas, que é bem interessante.

Fora da rota óbvia dos turistas em Belém, e relativamente perto, situa-se o Palácio da Ajuda, ainda usado em ocasiões oficiais. Menos visitado, mas lindo, embora algumas coisas por lá estejam pedindo restauração. É caro manter esses monumentos, mas nota-se que muito vem sendo feito neste sentido em diversos locais históricos.

Um dos monumentos que está passando por reformas é o Palácio de Queluz. Visite assim mesmo, é uma belezinha. Situa-se nos arredores de Lisboa, na direção de Sintra. Para os brasileiros, Queluz tem um apelo especial, porque o imperador Pedro I (rei Pedro IV em Portugal) nasceu e morreu nesse palácio. No mesmo aposento, que leva o nome de “quarto Dom Quixote”. Tanto Queluz quanto a Ajuda estão cheios de referências à nossa história, e ajudam a entender como deve ter sido difícil para a família real transferir-se para o Brasil em 1808. Significou bastante para eles, e para nós também. Mudou os rumos das duas nações.

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