Fake News: desculpa para a censura

 

Fake news_ desculpa para a censura   As fake news se tornaram tema de (pouco ou nenhum) debate no Congresso Nacional durante a semana. No afã de aprovar o texto da “reforma” política a tempo de valer para as eleições de 2018, inseriu-se um item de censura, sob a desculpa de evitar a propagação de notícias falsas a respeito de candidatos. Quem decidiria se a notícia era falsa, seria o próprio candidato. Sim, o político seria o juiz.

Realmente, nosso Congresso não se cansa de nos surpreender. Além de aprovarem um fundo bilionário para as eleições, trabalharam na surdina para que os podres de suas excelências saíssem de circulação na internet tão logo fossem detectados, com a fantasia de fake news.

É fato — e o Crônicas da KBR vem alertando desde o início de suas atividades, há quase um ano — que essas notícias falsas se espalham à velocidade da luz na internet. O problema não se concentra apenas na notícia, porque ela só toma corpo se é compartilhada. E isso traz à tona como o brasileiro confia nas redes sociais como fonte de informação. Mal comparando, assistimos à versão 2.1 das fofocas que antes eram espalhadas boca a boca.

O quadro geral expõe como a educação do brasileiro é deficitária por não desenvolver habilidades como o ceticismo e a desconfiança de fontes duvidosas. Isso é particularmente preocupante, porque vejo, entre meus contatos, gente com altíssimo nível cultural que propaga notícias, no mínimo duvidosas, no Facebook. Das duas uma: ou é ignorante nesse quesito ou o faz de propósito, para bagunçar o coreto. Praticamente todos os meus contatos, posso assegurar, são pessoas de boa-fé. Talvez por isso, insistimos tanto neste tema das fake news.

Voltando ao Parlamento, as notícias falsas serviram de desculpa para reintroduzir a censura no sistema brasileiro, porque, na prática, ninguém poderia falar mal de político nenhum. Por sorte, a imprensa, sempre alerta aos possíveis atentados à liberdade de expressão, fez seu papel de propagar esse absurdo e, sem necessidade de aumentar sua impopularidade por uma besteira dessas, o presidente Temer vetou este item no texto final da reforma. Ufa!

Há meios de coibir as fake news, desde que o sistema funcione bem. A Justiça Eleitoral tem capacidade de julgar os casos denunciados com a celeridade requerida. Ademais, como a reforma política prevê o uso da internet e das redes sociais nas campanhas eleitorais, o candidato ofendido terá direito de resposta por este meio também. Assim, fica tudo no elas por elas.

Para finalizar, cabe uma pequena observação: a proposta esdrúxula partiu do Deputado Áureo, cujo partido, o Solidariedade (SD), é comandando pelo Paulinho da Força. “Ideologia” de esquerda, pelo visto, com viés autoritário.

Imagem: O retrógrado

https://oglobo.globo.com/brasil/temer-sanciona-reforma-politica-com-veto-censura-na-internet-21919897

http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/o-jabuti-do-esperto.html

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,analise-ha-mecanismos-contra-uso-ilegal-das-redes,70002031561

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-web-12-milhoes-difundem-fake-news-politicas,70002004235

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,emenda-permite-que-conteudo-contra-politicos-seja-retirado-da-internet,70002029357

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