Reforma tributária explicada: “Nada para os pobres”

 

reforma tributária nos EUA

“Manifestante” durante o discruso sobre impostos de Trump, exigindo que “Trump pague impostos pirmeiro”.

O novo plano de impostos — “reforma tributária”, em linguagem mais brasileira, aquela que nosso governo tenta fazer há anos — notícia que tomou conta da mídia no dia de ontem, foi apresentado pelo NY Times como “a mais ampla reforma do sistema em décadas”.

Parece positivo, mas não é. A mídia progressista se desdobrou em críticas, a mais contundente delas no sentido de que a reforma irá beneficiar Trump, imagino que por causa da eliminação de impostos para bens imobiliários de valores superiores a 5,5 milhões de dólares, que é a faixa em que opera Trump, o magnata imobiliário.

Com sua análise, o NY Times faz a frase do dia, fazendo coro com seus colegas  em textos e debates: “O plano tributário traz amplos benefícios para os ricos, benefícios modestos para a classe média e nenhum benefício direto para os pobres”.

Trocando em miúdos: os esquerdistas, como se sabe, consideram corte de impostos para empresas como “benefício para os ricos”. Afinal de contas, só ricos podem se dar ao luxo de serem donos das próprias empresas, não é mesmo? Porém, na vida real — e no ideário republicano —, o que importa é que um corte de impostos para as empresas, que, se aprovado, reduzirá a taxação à metade — de 39% para 20% — tem impacto direto na economia do país, gerando prosperidade e milhões de empregos, como ocorreu na Era Reagan. Seria ou não um “benefício para os pobres”, reduzindo o desemprego, o número de pessoas dependentes de tíquete-alimentação e, me desculpem, a “pobreza”?

Já a classe média, trabalhadora, com deduções na fonte, foi beneficiada de forma direta: o “desconto inicial” para cálculo de impostos simplesmente dobrou — eu, por exemplo, que aqui sou classe média bem baixinha, serei diretamente beneficiada por isso. O teto a partir do qual se paga imposto simplesmente dobrou, foi de US$ 12.000 para um casal para US$ 24.000. Como resultado, muita gente neste país vai deixar de pagar impostos. Lembrando: isso significa isenção de impostos para ganhos até US$2.000 por mês, na faixa dos seis mil reais. Quase encostando na “faixa de pobreza”, que aqui nos EUA é para ganhos inferiores a US$ 25 mil.

Ah, mas o NY Times estava se referindo a benefícios diretos para os pobres, não é mesmo?

Pois é. Nenhum. Deve ser porque, simplesmente, pobre não paga imposto!

Triste do país que precisa de pobres para se sentir generoso.

O governo precisa muito de aprovar esse plano, porque, até agora, sua atuação legislativa tem sido realmente pífia, devido em boa parte a conflitos internos dentro do Partido Republicano. Pelo que ouvi, a reforma tributária não saiu exatamente das mãos de Trump, e sim de um acordo prévio entre os dois partidos. Tomara.

Foto Bryan Woolston/Reuters

https://www.nytimes.com/2017/09/27/us/politics/trump-tax-cut-plan-middle-class-deficit.html

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