Uber fora de Londres e o “escurecinismo”

 

Sadiq Khan

Sadiq Khan

Devo admitir que não tenho a menor experiência pessoal com o Uber. Nunca usei um.

Mas vejo comentários contra e a favor de todos os quilates, e fico em dúvida sobre que parte dos “ataques” ao aplicativo são devidas a falhas reais ou a outros interesses.

No Brasil, pelo que sei, o Uber se “integrou” muito bem à cultura local: há todo tipo de reclamação, desde roubo até uma esquisitíssima na qual uma mulher que se confessou alcoolizada alega ter sido estuprada pelo motorista.

No caso de Londres, no entanto, a coisa parece bastante clara — com base no que li, obviamente. O artigo d’O Globo enfatiza os “erros” cometidos pela empresa, pelos quais o CEO se desculpa, prometendo melhorar caso consiga ser perdoado por eles, mas em momento algum conseguimos saber que erros são esses. Prefiro a visão do Times of London , que, nunca é demais repetir, é meu jornal favorito no momento.

O artigo de Clare Foges, outra favorita, começa assim: “Você é uma mulher de seus 20 anos, voltando para casa depois de uma festa num dos bairros menos centrais de Londres. Você está sozinha. Então você (a) pega um ônibus noturno, evitando o olhar daquele homem que te encara vestindo uma camiseta do Grateful Dad? ou (b) pega um minitáxi daqueles sem licença e espera que aqueles olhares no espelho retrovisor sejam apenas amigáveis? ou (c) vai de porta a porta no conforto de um Toyota Prius, de cujo motorista você sabe o nome e que está ansioso para conseguir cinco estrelas ao final da viagem?

Clare consegue também a proeza de escrever a frase do dia, na minha opinião, em sua crítica ao prefeitinho Sadiq Khan: “Ser muçulmano, cristão, zoroastrista ou ateu não faz de você um bom prefeito”.

My point exactly. Nunca gostei de Khan, eleito, na minha opinião (e na de Clare) só porque hoje em dia é obrigatório, por motivos que ninguém consegue explicar direito, ser simpático aos muçulmanos. Clare o acusa ainda de estar boicotando o Uber para granjear a simpatia dos sindicatos, de olho na “ascensão política”. Estaria ainda, segundo a cronista, apenas “esquentando lugar” na prefeitura, ambicionando uma chance de se tornar primeiro ministro.

Deus nos livre e guarde. Khan já provou não apenas sua parcialidade, mas também sua incompetência e ineficiência no modo como tratou os recentes ataques terroristas na cidade. Trata-se, em poucas palavras, de um lamentável “produto” de nossa sociedade estratificada e envenenada pelo politicamente correto, onde as vozes dissidentes devem ser caladas e não se fala mais nisso. Além disso, o Times comenta o aparecimento de uma empresa concorrente e afirma que o Uber foi analisado e aprovado “mais de 10 vezes” pelo órgão competente que regula os transportes de Londres, e que seu banimento é “repentino”.

Outro excelente artigo na edição de hoje define o momento que estamos vivendo como um “escurecinismo” — em oposição ao Iluminismo após a Idade Média— e torce para que seja apenas passageiro.

Enquanto esperamos passar, no entanto, não podemos, simplesmente, nos conformar.

Outro destaque lamentável na mídia foi o incrível artigo do Washington Post explicando “como os russos tomaram conta do Facebook para garantir a vitória de Donald Trump”. Fui lendo e me sentindo cada vez mais ultrajada com aquela óbvia mentirada, até que um comentário de leitor me acalmou, quando li a opinião dele de que se tratava de “realidade alternativa”. Esse pessoal anti-Trump é que nem aqueles drogados viciados que precisam de drogas cada vez mais pesadas para manter a “onda”, e está ficando cada vez mais agressivo.

Não sou nenhuma fã n°1 do Facebook, como todo mundo sabe, mas  ninguém está obrigado a ler nem a acreditar em tudo o que aparece na rede. Além do mais, minha impressão é de que o grosso do Facebook durante as eleições era a favor de Hillary… mas isso deve ser porque tenho as amizades erradas, para nem mencionar que uso o F.B. Purity e não vejo anúncio nenhum!

E por falar em rede, estou detectando um novo movimento meio desesperado na tentativa de “eliminar” Trump: escrever seu nome com letra minúscula. Um “textão” de um de meus “amigos” chega ao extremo de se referir a Obama como Presidente Obama, com duas maiúsculas, enquanto na mesma frase escreve trump com minúscula, para não deixar dúvidas de que não se trata de um deslize de digitação.

Mas não vai colar. As pessoas cometem tantos erros  de gramática e grafia na rede social que esse detalhe sofisticado está fadado a cair no vazio. Vai se enfiar no mesmo buraco onde irão parar todos aqueles que têm se dedicado a desculpar e passar a mão na cabeça de… Kim Jong-un.

Não sabem o que fazem. Minhas suspeitas de que o “jovem” Kim não passa de um ator, ou marionete, agindo em benefício daqueles velhos generais que o cercam o tempo todo, terá que ficar para outro dia.

Bom dia!

Foto Stefan Rousseau.

https://oglobo.globo.com/economia/ceo-da-uber-pede-desculpas-aos-londrinos-por-erros-da-empresa-21866476

https://www.thetimes.co.uk/edition/comment/londons-mayor-deserves-far-closer-scrutiny-wgpfnh9wf

https://www.thetimes.co.uk/edition/news/tfl-inspectors-gave-uber-green-light-10-times-flbp7tqxs

https://www.thetimes.co.uk/article/new-enemies-threaten-theenlightenment-6xsj58mhg

https://www.washingtonpost.com/business/economy/obama-tried-to-give-zuckerberg-a-wake-up-call-over-fake-news-on-facebook/2017/09/24/15d19b12-ddac-4ad5-ac6e-ef909e1c1284_story.html

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