O desprezível e agora letal macartismo de esquerda

 

Eric Bolling e Eric Bolling Chase

Eric Bolling e seu filho, Eric Bolling Chase.

Havia muitos assuntos sobre os quais eu poderia ter escrito um editorial nesta segunda-feira, inclusive a polêmica da qual acabei de me inteirar sobre a exposição “Queermuseu”, cancelada neste domingo pelo Santander em seu centro cultural de  Porto Alegre.

Nos Estados Unidos, compreensivelmente, só se fala de furacão, além do que hoje é 11 de setembro, uma data na qual poucos assuntos podem se sobrepor à horrível memória daquele dia em 2001.

No entanto, vou, sim, falar de outra coisa, que não foi mencionada nem na última página pelos jornais brasileiros, e por muito poucos jornais aqui nos Estados Unidos: a morte por overdose do filho único de Eric Bolling, ex-âncora da Fox News demitido na última sexta-feira.

Bolling e sua esposa pediram no Twitter que as pessoas respeitassem seu período de luto, e têm todo o direito não só de pedir, como de serem atendidos. Afinal de contas, a extrema exposição daquilo que antes se entendia por “privacidade” está no cerne da violência, radicalismo e conflito de opiniões hoje em dia. Mas há algo na morte do jovem Eric que não pode ser relegado à discrição e ao silêncio, pelo contrário, deve ser exposto e enfatizado.

Eric Bolling fez sua fama na Fox News a reboque de Bill O’Reilly, de quem era fã confesso e a quem muitas vezes substituiu. Quando O’Reilly foi demitido no início do ano, Bollling parecia ser um substituto natural do analista politico, mas acabou recebendo um programa próprio às cinco da tarde na reformulação da grade.

Bill O’Reilly, para quem não se lembra, foi sumariamente demitido após ter levado a emissora nas costas por 17 anos, sob acusações de abuso e assédio sexual, mesma acusação feita ao ex-CEO da empresa, Roger Ailes, que foi demitido em 2016 e faleceu em maio de 2017 devido a complicações de uma queda em casa. Ailes era hemofílico.

O’Reilly optou por não se defender legalmente das acusações para “não prejudicar os filhos”, e hoje em dia está encolhido e limitado ao seu próprio website, billoreilly.com. Continua falando, mas está “morto” para efeito da grande mídia. Fui contra a demissão de O’Reilly, a quem escutava e de quem gostava. Sua voz ainda faz muita falta, e seu substituto na emissora, embora tenha um programa bastante popular, não chega à sua altura. Mas, vá lá, com um pouco de esforço até dava para colocar O’Reilly e Ailes no mesmo saco de machismo e misoginia, embora as alegações das vítimas de O’Reilly fossem, simplesmente, ridículas.

Entretanto, o ataque a Bollling por exatamente as mesmas razões, desta vez com tintas mais vívidas, incluindo, em tese, imagens não solicitadas de seu próprio órgão sexual, deixa claro, a meu ver, que está realmente em curso um esforço inaudito para acabar com a mídia conservadora, para nem mencionar que todos os personagens dessa “perseguição moral” foram cruciais no apoio a Donald Trump. Por que um sujeito bem apessoado, aparentemente bem casado, com um livro na lista de best sellers do New York Times e em posição de destaque na mídia, com um emprego milionário na TV a cabo, arriscaria tudo isso enviando uma mensagem pornográfica a meia dúzia de colegas do sexo feminino? Não faz o menor sentido! Menos ainda depois dos inúmeros casos de assédio sexual pornográfico por mensagens de celular expostos ultimamente, incluindo o do desprezível Anthony Wiener e do próprio Bill O’Reilly. Só mesmo se Bolling fosse um completo idiota, ou doido, o que não parece ser o caso.

Mas deixemos isso de lado. O fato é que o filho de Bolling, segundo relatos, “estava tendo dificuldade de lidar com as acusações contra seu pai”. Some-se a isso a crise dos opioides, que tem exigido atenção das autoridades, et voilà, o rapaz foi encontrado morto no Colorado, onde cursava o segundo ano da faculdade, horas depois de seu pai ter sido definitivamente demitido da emissora. Eric Chase Bolling tinha apenas 19 anos.

Bolling, diferente de O’Reilly, optou por se defender e está processando por 52 milhões de dólares o “repórter” do Huffington Post que “denunciou” seus atos devassos, Yashar Ali. Uma breve visita ao Twitter de Ali permite detectar ali todos os ingredientes já clássicos dos ativistas esquerdistas, progressistas, donos da bondade e politicamente corretos. Em outras palavras: macartistas de esquerda.

Yashar Ali defende a sobrevivência dos elefantes. Está preocupado com a proteção da “vida selvagem” e a “preservação do habitat para o futuro”, mas falha em perceber que por trás de denúncias sem fundamento, e com objetivos políticos, estão pessoas humanas, famílias, filhos que talvez não tenham a fortitude moral para sobreviver à humilhação imposta a seus pais.

Ah, pois é. Conservadores não são humanos. São todos racistas, nazistas, negadores do clima, anti-imigrantes, partidários da escravidão, e, pior, tratam mulheres como objetos e ainda por cima são contra os direitos dos gays e a presença de transgêneros no exército. Certo? Tudo se justifica para o nobre objetivo de eliminar esses monstros da face da Terra, com ênfase para seu líder e ídolo político, o imoral Donald Trump.

Trump e sua gangue, porém, apesar de tantas acusações levianas, nunca foram provados culpados de terem matado um ser humano sequer com suas ideias desprezíveis. Já o doce e consciente Yashar Ali não teve a mesma sorte. Além de estar sendo processado por difamação e danos morais, Ali deveria ser indiretamente responsabilizado pela morte do jovem Eric.  E mesmo que legalmente isso não seja possível, espero que esse reporterzinho irresponsável não consiga mais dormir, sabendo que seu ataque de bom-mocismo resultou numa vítima fatal. Que não durma em paz nunca mais.

Foto TMZ.

http://gothamist.com/2017/09/10/fired_fox_news_personality_eric_bol.php

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