Datas velhas

 

carta tradicionalRecebi agora mesmo um WhatsApp me pedindo para assinar uma petição. Trata-se de uma consulta pública, sobre um assunto que já foi decidido no ano passado. Enviaram-me também uma mensagem com um texto publicado hoje no Diário de São Paulo. Esse jornal deve andar meio sem assunto, porque, de acordo com mensagens anteriores dos meus amigos, vem reproduzindo o mesmo texto em diversos “hoje”.

Estou cansada de receber convites para eventos já acontecidos e denúncias mais do que requentadas. Isso, porque cada incauto que descobre alguma coisa formidável na internet dá início a uma enorme cadeia de repetições, sem saber que se trata de notícia velha. É uma eterna descoberta da pólvora.

Existem mensagens atemporais, mas nem tudo é assim. Replicar coisas que perderam o sentido pode até prejudicar a causa que pretendem defender. É um tiro no pé. Acontece muito com a política. Somos, de vez em quando, instados a bater panelas que deveriam ter sido batidas no horário de pronunciamentos que foram ao ar faz tempo. Ou a assistir entrevistas que foram ao ar na semana passada. A gente acaba não conseguindo separar o joio do trigo. Como se já não bastasse a mentirada que circula por aí.

Precisamos resgatar um costume antigo, do tempo em que se escreviam cartas: mencionar em nossas mensagens a data em que foram produzidas originalmente. Valeria para textos, vídeos e tudo o mais. Um detalhe pequeno, mas que evitaria um bocado de equívocos e encaminhamentos desnecessários. Sei que é difícil, mas deveria figurar entre as regras de etiqueta para a internet.

Em tempos de tanta exposição, seria pedir demais que os internautas imitassem as missivas pessoais de antanho, que começavam por “Rio de Janeiro, dia tal”, e indicavam a quem se destinavam, com “Caro Fulano”? Se nos acostumássemos a colocar pelo menos a data, estaríamos nos tornando mais inteligíveis. Quem quiser ser ainda mais elegante, pode, se achar relevante, acrescentar também o local. Fica a sugestão.

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