O furacão Irma e a detestável agenda progressista

 

Trump e o furacão

“Francamente, querida, não estou nem aí para essa mudança de clima!”

É isso. O furacão Irma se aproxima dos Estados Unidos. Pior que isso, acabo de saber que nós, aqui no nosso idílico retiro no norte da Carolina do Sul, seremos submetidos a “ventos e temporais e possíveis tornados isolados e inundações” devido ao avanço do “maior furacão da história”.

Não faço a menor ideia do que fazer. O último furacão que atingiu Charleston, o Matthew, há um ano quase exatamente, chegou aqui com uns ventos esparsos, mas naquela época eu não tinha uma casa com que me preocupar, apenas uma “obra em andamento”.

Felizmente, nada aconteceu. Desta vez, só nos resta torcer para que, igualmente, nada nos aconteça. Mas deixando de lado o temor e a preocupação, vou compartilhar duas ou três coisas engraçadas sobre o furacão Irma, enquanto dá para rir do assunto.

A primeira e mais óbvia é a charge aí em cima, publicada na edição de hoje do Times of London. Aqui nos Estados Unidos, furacões podem destruir ou reforçar uma presidência, e é na hora do aperto que se percebe a quantas anda o poder federal. Esta semana, por exemplo, Trump já transformou o Harvey em “bons ventos” para a sua presidência, ao passar por cima dos republicanos e fechar um inédito acordo com os democratas no Congresso para a liberação de recursos para as vítimas do furacão no Texas. Comentaristas disseram que, com isso, Trump prova que não é apenas o presidente do partido que o elegeu, mas sim de todos os americanos, além de mostrar que é mesmo um “mestre” na “Arte do Acordo” [The Art of the Deal], título de um livro de sua autoria. Vamos ver se a “bonança” em Washington resiste a mais essa tempestade “histórica”.

A segunda é uma excelente piada, que recebi de uma amiga no WhatsApp: “Cubanos! Se vocês estiverem com medo do Irma, podem chamar a Dirma. Afinal de contas, ela sabe como estocar vento”.

A terceira, bem, a terceira é meio patética. Não acompanhei os programas do radialista Rush Limbaugh esta semana, estava muito ocupada e nem saí de casa (sempre escuto Limbaugh no carro). Mas lá por terça-feira, Limbaugh, que mora em Palm Beach, na Flórida,  dedicou o programa à ameaça do furacão, divulgando “teorias infundadas sobre o Irma”, de acordo com a CNN. Lendo o artigo na CNN pude escutar a inconfudível voz de Limbaugh rosnando aquelas afirmativas, no sentido de acreditar que “a imprensa estava escalando a cobertura do furacão Irma para ‘avançar sua agenda de mudança do clima'”, e ainda alertou seus ouvintes para o fato de “havia um conluio entre a mídia e os comerciantes (…) no sentido de instaurar o pânico e levar as pessoas a estocar água e baterias”.

Rush, vamos combinar, pisou na bola desta vez. O momento em que as autoridades estão alertando a população para evacuar não é uma hora boa para reclamar da “agenda do clima”. Porém, por outro lado, embora nunca pudesse arriscar a aconselhar as pessoas contra o alerta de furacão, também acredito que muita gente está se aproveitando do desastre de diversas maneiras, entre elas, sim, avançar a teoria do aquecimento global, e já escrevi sobre isso duas vezes esta semana. O artigo da CNN, publicado ontem em tom triunfante, espalha aos quatro ventos — ui, perdoem o trocadilho ruim — que “Limbaugh estava evacuando sua casa na Florida e não iria fazer o programa nesta sexta-feira, prometendo voltar na próxima segunda ‘de um local desconhecido'”.

Esta semana tive uma longa conversa com uma brasileira que mora aqui  há vários anos e se converteu numa típica “progressista”. É inacreditável como os dois grupos, através dos quais a sociedade americana tem se polarizado, a cada dia mais mantém um tipo de “agenda inescapável”. Minha interlocutora, por exemplo, citou casos de pessoas próximas a ela que preenchiam todos os pré-requisitos dos clichês esquerdistas radicais: um de seus amigos, segundo ela “a pessoa mais feliz e realizada que ela já conheceu em sua vida”, é homem, “namora mulheres, tem barba e tudo o mais”, mas nasceu mulher; outra amiga, uma imigrante brasileira de 65 anos e portadora de Green Card há mais de dez, foi “detida na imigração ao voltar de uma viagem por causa do preconceito contra idosos”… e talvez latinos, sei lá. Minha interlocutora foi ainda mais longe, afirmando que por causa do tal inicidente a pessoa em questão decidiu voltar para o Brasil. Achei tudo aquilo bem estranho, e, realmente, conversa foi, conversa veio, ela acabou confessando que a pessoa havia se mudado de volta para o Brasil porque a filha estava gravemente doente. Last but not least, tive que escutar que não só minha interlocutora brasileira, como também seu filho adolescente estavam fazendo trabalho voluntário num “centro árabe”. Por saber que sou judia, ela se controlou para não informar que o tal “centro árabe” era na verdade muçulmano, talvez até uma mesquita.

Tudo bem, não tenho nada contra um outro grupo ou uma ou outra religião, em princípio. Mas, francamente, não entendo essa insistência de novaiorquinos bem aquinhoados em darem tanta confiança para “grupos árabes”. Será algum tipo de “síndrome de Estocolmo” por causa do Onze de Setembro? Uma culpa esquisita no sentido de “oferecer a outra face”? (Por falar nisso, o 16° aniversário do pior atentado da história, sem aspas desta vez, é na próxima segunda-feira). Não vejo motivos para ninguém endeusar uma religião atrasada, que explora e maltrata as mulheres, se envolve em “guerras santas”, quer converter “infiéis” e tenta levar o mundo de volta à Idade Média.

Tentei fazê-la ver que estava sendo vítima da propaganda, e que se conseguisse ver o mundo sob o prisma do pensamento lógico, veria que a maioria desses “pontos de conversa” não têm o menor respaldo na  realidade racional. Agora, quando ela começou com a lenga-lenga de que “tudo que este governo está fazendo…”, cortei a conversa pela raiz. Aqui, não!

Pronto. Falei. Obviamente, também preencho os clichês do meu lado do espectro político, aquele que odeia o terrorismo islâmico, apoia Donald Trump acima de todas as controvérsias e, pior, mais grave, duvida da veracidade das ameaças do aquecimento global e mais, que homem possa virar mulher e vice-versa, devido à maravilhosa tecnologia médica.

Isso, obviamente, não me faz duvidar de que um tremendo furacão se aproxima, embora não saiba se é realmente “o maior da história”. Boa sorte a todos que se encontram em sua rota.

Charge Times of London.

https://hotair.com/archives/2017/09/08/art-deal-trump-wins-big-disaster-aid-pelosi-schumer-pact/

http://money.cnn.com/2017/09/08/media/rush-limbaugh-evacuates-hurricane-irma/index.html

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