O Plano B do PT

 

Ciro Gomes

Ciro Gomes, o Plano “C”.

A ofensiva de Palocci acendeu o red alert no PT. Segundo o jornalista Cláudio Humberto, o partido já iniciou uma discussão sobre um provável substituto de Lula como candidato à presidência em 2018, ante a cada vez mais iminente prisão do molusco corrupto. O próprio presidenciável indica seu afilhado — surpresa nenhuma —, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad: o plano B.

A “caravana da esperança” pela região nordeste demonstrou-se um fiasco para o partido. Nem Lula consegue arregimentar multidões, como pensavam. Onde teve mais gente, o motivo foi que as prefeituras petistas trataram de patrocinar, pagando os “militantes”. Parece que Lula e o partido, depois de tudo, estão perdendo a esperança de voltar ao Planalto em caravana.

A verdade é que o PT está mesmo é voltando a ser o que era (e nunca deveria ter deixado de ser): um partido pequeno que grita muito, impondo palavras de ordem e com um número cativo de votos. O poder e a influência diminuem mais e mais, e a primeira pá de cal que o ex-ministro Antonio Palocci jogou acabou de vez com algum voto de confiança que ainda pudesse existir.

Toda a cúpula do partido está encalacrada com a Justiça, denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro. O líder-mor implicou a agremiação até o pescoço com seu “pacto de sangue” com a Odebrecht. Era a única forma de viabilizar o projeto de poder: dinheiro, que compra tudo, exceto uma boa cela na carceragem da PF em Curitiba. Esta, nós, contribuintes, oferecemos de graça. O prazer é todo nosso.

Voltando ao plano B, Fernando Haddad é o que sobrou com alguma credibilidade no PT, pelo menos por enquanto. Ouço muito dizer que é o único que ainda presta no partido. Não sei se é verdade, mas Haddad é o único que nunca vi esbravejar palavras de ordem. E fez pelo menos uma coisa que presta na vida: é o autor da Tabela Fipe.

Porém, foi em sua gestão à frente do MEC que foi elaborado o chamado “kit gay” para distribuição a estudantes e professores do ensino médio, com o objetivo de “combater a homofobia”. Segundo consta, o material continha vídeos (divulgados na internet) que eram um incentivo à homossexualidade. O Congresso Nacional criticou duramente o tal kit, e a então presidente Dilma suspendeu a distribuição. Não vi o material, mas acho que respeito às diferenças não se ensina com material didático, se ensina na convivência. A produção desse kit deve ter sido só mais um gasto com firulas e, muito provavelmente, com algum superfaturamento propinístico.

À frente da prefeitura da maior metrópole da América Latina, Haddad parece não ter agradado, e perdeu a reeleição de lavada. Mas em seu mandato fez as ciclofaixas e deu uma modernizada no sistema, embora, ao que parece, os paulistanos ainda não estivessem preparados para esse “avanço”. Eu, que não sou paulistana, nem moro em Sampa, já ouvi falar de muito mais feitos do atual prefeito João Doria, em menos de um ano, do que nos quatro anos da administração Haddad.

Fernando Haddad não é o tipo populista, o que é uma enorme vantagem em se tratando de um petista. Ocorre que, sendo petista, é uma enorme desvantagem em se tratando de candidato — só por isso conquista a rejeição de parte considerável do eleitorado.

Se o plano B tivesse que ser colocado em prática, quem seria o vice? Questão sensível no Partido dos Trabalhadores, sabem como é. Lula quer fazer uma composição com o filho de José Alencar, seu vice nos dois mandatos presidenciais. Haddad, ao que parece, herdaria tudo do padrinho.

No entanto, há quem tenha planos para o afilhado de Lula. E esse alguém não esconde seu desejo de ser presidente da república: Ciro Gomes. No caso, o ideal para Ciro seria que Haddad fosse o vice. Nas palavras do próprio pedetista, “seria o dream team”. Para o cearense, “Haddad representa o que há de melhor no PT e não carrega o estigma, que é, em parte, injusto”. Como Lula, Ciro faz sua “caravana” e já está em pré-campanha em universidades e meios de imprensa.

Para que o PT aceite uma posição de vice numa chapa presidencial, será necessário calçar as sandálias da humildade. Talvez o baque de uma eventual delação de Palocci contribua para isso, e aí, o plano B vai virar plano C.

Bom fim de semana procês!

Foto Roosewelt Pinheiro/ ABr

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