Rogéria

 

RogériaOs trissexuais, pentassexuais, transgêneros, cisgêneros, pangêneros e outras bossas que, subitamente, desabrocharam no mundo contemporâneo, devem se mirar no exemplo da Rogéria, que, infelizmente, morreu ontem. Foi um ser humano 100% íntegro.

Ela nunca precisou sair despida pela rua, divulgar suas preferências, estranhas ou não, que cultivava na intimidade, ou fazer publicamente  xixi em pé para provar que estava em paz com sua sexualidade. Chegou e se impôs. Fina, educada, inteligente, brilhante e, por incrível que pareça, discreta. Uma dama.

Viveu na época em que o preconceito contra homossexuais e travestis era imenso. Deve ter enfrentado muitos. Mas nunca se fez de vítima.  Entrava com a cabeça erguida em todos os lugares. Assumia-se, sem agredir.

Admirava-a. Como atriz e como pessoa. Nunca vi ou ouvi ninguém se referir a ela de maneira desrespeitosa, porque respeito, a gente impõe — não pede, não exige e não suplica. Respeito é a resposta que os que nos cercam dão à nossa conduta, ao nosso comportamento. E Rogéria nunca perdeu a elegância.

Desejo que esses meninos e meninas que resolveram cultivar a barba e, simultaneamente, parir, que se mirem em Rogéria. Aprendam com ela a gerenciar uma situação que pode ser fácil, desde que quem a viva esteja em paz consigo e com o mundo.

Grande Rogéria, você nos deu uma grande lição. Todos temos a aprender com a sua coragem.

Tomara que o seu exemplo se multiplique. A nova geração X, ao contrário de você, está lidando muito mal com a identidade de gênero.

 

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