A hora de subir em árvore

 

gato numa árvoreA vida nos surpreende dia a dia, e podemos ver alguma saída, mesmo quando tudo nos parece fechado e o perigo nos ronda.

Nas terras de Minas, um felino nos ensina uma delas, uma lição do que fazer quando nos vemos diante do imponderável.

Nascido numa pequena cidade de nosso Estado, o gato em questão era mais um, de uma família com outros cinco irmãos. Na ausência de sua mãe e dos donos da casa, foram localizados pelos cães da família, que não o aceitaram bem.

É verdade: não é raro morarmos com outros na mesma casa, e estes não nos terem afetividade e amor. Nesse caso específico, os irmãos do felino morreram sob os dentes de seus inimigos ancestrais. Nosso amigo, porém, imbuído de uma coragem inata, conseguiu se evadir do local do crime. Perseguido por seus algozes, subiu em uma grande árvore, que se encontrava em frente à casa, e ali se abrigou.

Cansados de tentar alcançá-lo, e roucos de tanto latir em vão, os assassinos se retiraram do local, certos de que, mais cedo ou mais tarde, conseguiriam dar cabo do fugitivo.

O pequeno sobrevivente assustado se manteve exilado no galho mais alto da planta, sem saber o que o futuro lhe reservara. Mas a sorte lhe sorriu, nas mãos de um ser humano.

O dono da casa, percebendo a tragédia quando voltou ao lar, procurou os vestígios daquele que sobrevivera. Ouvindo os miados de desolação, encontrou o gato, viu que este não tinha intenção de descer do seu abrigo e concordou com sua decisão.

Com o auxílio de uma escada, levou-lhe água e um pouco de ração, para que pudesse sobreviver. E assim foi feito. Todos os dias o homem alimentava o gato, todos os dias o gato se recusava a descer.

O tempo passou, e oito meses transcorreram após o fatídico episódio. E desde então nosso herói permanece no alto da árvore, convivendo com um pássaro que ali tem seu ninho: um não incomoda o outro, desfrutando ambos de uma mesma proteção.

Parece-me que o gato não pretende descer. Aquele que o protege com água e comida não o toca, e aceita a decisão de seu protegido.

É bom saber que subir numa árvore pode ser uma saída. É bom aprender que até um inimigo pode nos respeitar, se não invadirmos seu território. Melhor ainda é acreditar que existem seres humanos capazes de ajudar, sem esperar nada em troca.

Mas é fundamental estar atento e perceber que podemos ser atacados em nossa própria casa, e que mesmo que sejamos muitos, a violência e o ódio podem nos atingir sem aviso ou clemência.

Que possamos estar atentos e fortes, como nos diz a música de Caetano. “Não temos tempo de temer a morte”.

 

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