Donald Trump, o provocador de caos

 

Donald Trump e Mike PenceTudo bem. Tá certo que, se Trump não fosse Trump, poderia estar pegando mais leve nesse episódio de TPN  — tensão pré-nuclear  — na Coreia do Norte. Mas daí a afirmar, como fez Pyongyang, que é Trump quem está “escalando” as tensões, vai uma distância incomensurável.

Não é de hoje que Kim Jong-un vem exercitando suas bravatas nucleares  — que, de acordo com relatórios de inteligência, estão atingindo uma espécie de “ponto de não-retorno” —, respondidas por Barack Obama com “paciência estratégica”. Só que, enquanto Obama acreditava estar sendo magnânimo e superior às maluquices do traquinas asiático, estava na verdade permitindo que o programa avançasse. Mesma atitude, aliás, tomada com relação ao Irã.

Só se pode concluir que “não é com amor que o amor é pago”, e que bondade e superioridade não protegem os justos dos verdadeiros perigos. Os radicais deste mundo, aliás, não praticam as artes do bom senso e da ponderabilidade, muito pelo contrário.

Há uma noção generalizada e amplamente divulgada de que atingimos uma espécie de ápice da retórica de guerra na disputa entre os dois países. Mas analistas mais ponderados consideram que não há nenhum perigo imediato nessa troca de ameaças, e mais: longe de ser um louco inconsequente que mata seu próprio povo de fome para brincar de general, Kim estaria trilhando um plano detalhado para conquistar o respeito internacional, como fez a China.

Ok. Mesmo desejando comprar essa versão, há — e penso que sempre haverá — uma  ou duas diferenças fundamentais entre a Coreia do Norte e a China: o tamanho do território e o engajamento da população rumo ao enriquecimento capitalista, além da esperteza comercial dos chineses que, rapidamente, transformaram o mundo em seus dependentes, com uma boa mãozinha de Mr. Ma,  dono do Alibaba.

Enquanto isso, a China aproveita a ocasião para se posicionar também militar e diplomaticamente e somar mais alguns pontos em seu prestígio crescente. Segundo informa o Daily Mail, um jornal estatal chinês afirma que, “caso os Estados Unidos  ataquem primeiro, a China vai intervir para parar o ataque; caso a Coreia do Norte ataque primeiro, a China permanecerá neutra”. Ainda segundo o Daily Mail, Pyongyang anda afirmando que poderia “reduzir os Estados Unidos a cinzas a qualquer momento”. Já de acordo com o Washington Post, a China, numa típica política de morde-e-assopra, alertou aos norte-coreanos que, caso decidam atacar os Estados Unidos, o farão “por sua própria conta e risco”.

Como escrevi ontem, quem vai provar ser “mais macho” no final?

O fato é que todo mundo sabe que deslanchar uma troca de bombas nucleares não irá favorecer ninguém, e eventualmente todo o planeta poderá ir pelos ares. Tendo isso em vista, embora pareça ofensivo para os nossos ouvidos progressivos, pode não ser tão má ideia o fato de termos nosso próprio “louco doméstico”. O sorriso divertido de Pence ao lado de um Trump que esbraveja, afirmando que os EUA estão “armados até os dentes” — “locked and loaded“, em tradução livre — parece de alguma forma confirmar isso.

Foto Reuters.

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-40901746

http://www.dailymail.co.uk/news/article-4780602/China-stop-America-attacks-North-Korea-first.html

https://www.washingtonpost.com/world/china-warns-north-korea-youre-on-your-own-if-you-go-after-the-us/2017/08/11/a01a4396-7e68-11e7-9026-4a0a64977c92_story.html

Para ler mais Noga de Sklar, clique aqui.

Para comprar o livro mais recente de Noga Sklar, clique aqui.