E agora, esquerdistas?

 

Maduro e os esquerdistasEnquanto a Venezuela segue firme em sua marcha para um governo ditatorial, corretamente diagnosticado pelos Estados Unidos e “medicado” com sanções, a esquerda mundial tem mantido silêncio a respeito dos flagrantes abusos e ataques à democracia num país antes tido como uma espécie de “modelo” do socialismo.

Por que, eu não sei. Nunca vi nada de bom na política chavista, que sempre foi um terror, embora a situação atual não se compare. A este respeito, artigo interessante no Times of London deplora a falta de críticas ao governo de Maduro por esquerdistas de Primeiro Mundo, como Jeremy Corbin, atualmente bastante popular no país como consequência do recente fracasso eleitoral de Theresa May. “O pessoal da extrema-esquerda que retratou a república socialista como um exemplo”, urge o autor do artigo, “precisa agora ser honesto quanto ao que teria dado errado”.

Guardadas as proporções, a situação me lembra a vista grossa de intelectuais importantes frente à revelação dos crimes do regime stalinista, e por extensão, do regime maoísta que povou nossos sonhos militantes da adolescência. Naquela época, não restavam dúvidas sobre quem estava do “lado certo”. E como estávamos errados!

O fracasso do socialismo está cada vez mais óbvio, apesar da liderança que, ao que parece, “não fala, não ouve e não vê” o que está acontecendo.

Melhor reconhecer os erros e posar em público de “metamorfose ambulante” do que continuar tendo certeza sobre tudo, não é, progressistas?

Quanto à “indiscutível”  vitória de Maduro no último domingo, só podemos desejar sorte aos pobres vizinhos venezuelanos, e quem sabe uma forcinha por parte dos Estados Unidos.

Caricatura Times of London.

https://www.thetimes.co.uk/edition/comment/corbyn-s-silence-on-venezuela-speaks-volumes-tpctb0lcm

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