Inocência

inocencia1“O marido desconfiava da fidelidade da mulher e resolveu segui-la. Viu quando ela entrou num restaurante e se sentou à mesa com outro homem. Viu quando eles saíram juntos do local e entraram num hotel próximo. Ficou na calçada aguardando e viu quando eles se assomaram à janela. Viu quando o homem fechou a cortina e exclamou:

— Que pena! Logo agora que eu ia conseguir um flagrante!”

A piada, velha, não é das melhores, mas não tem saído da minha cabeça nos últimos dias. Isso, porque ainda conheço gente que defende, de boa-fé, o nosso ex-presidente e toda a camarilha que o cerca.

Só inocentes continuam acreditando nessa conversa de que pobres têm todos os direitos e os ricos são algozes. Esse discurso desonesto, vindo de quem leva vida de nababo, tem feito tanto mal ao Brasil quanto a incompetência do governo.

Se a comida é pouca, reparti-la tirando de uns para dar aos outros só resolve na emergência. Temos que plantar e colher, trabalhando para produzir comida suficiente para todos. Simples assim.

Meus amigos costumam presentear-me no aniversário e em outras ocasiões especiais, mas nunca puseram sítios à minha disposição. Talvez eles não sejam suficientemente abonados, porque eu só ganho coisas prosaicas: uma roupa, um livro, um par de sapatos. Como é de praxe, nas épocas devidas, eu retribuo esses presentes com itens semelhantes. Não saberia como retribuir a boa vontade de alguém que comprasse um apartamento com a única finalidade de me emprestar o imóvel.

Lembrei-me de outra piada, ainda pior e mais antiga que anterior, sobre a mulher que de vez em quando voltava para casa com uma joia cara. Não me lembro do final, mas ela jurava para o marido que encontrava tudo na rua por acaso. Sortuda!

Imagino que os muito ricos deem presentes de valor elevado e que, entre eles, esse negócio de retribuição seja regido por outros parâmetros. Só não entendo como alguém que se declara pobre consegue colecionar tantos amigos ricos e desinteressados e eu tenho que me contentar com a roupa, o livro ou os sapatos. Deve ser porque não preencho algum pré-requisito, tipo ser populista e bom de discurso. Honestidade não precisa, só atrapalha.

No entanto, eu me qualifico completamente para ter uma conta recheada em algum paraíso fiscal porque, até onde consegui deduzir, o único pré-requisito para isso é não saber de nada. Olhaí, gente, eu não sei de nada. Cadê a minha conta?