Medicina da alma anuncia: há cura para quem sofre de AAA

amigasDiz a sabedoria popular que só reconhecemos os verdadeiros amigos na adversidade. Concordo. Quem está com você pra valer não vai se afastar quando o cenário do encontro mudar da mesa de boteco para a cama do hospital, ou quando você precisar de companhia no sábado à noite para “curar a dor de cotovelo” e não para “desfilar seu bloco na avenida”. Se bastar que a maré vire e o barco fique à deriva para aquele marinheiro que você chamava de irmão fugir no bote salva-vidas sem nem olhar pra trás… Esqueça a figura. Nem para comida de tubarão essa pessoa serve.

Esse teste de amizade é fácil. Todo mundo reconhece sua eficiência. Mas, pergunto: E aquelas pessoas que são ótimas companheiras no sofrimento e não conseguem conviver com a sua felicidade? Conhece alguém assim? Aposto meu par de sapatos novos e meu vestido, que ainda está com a etiqueta, que sim!!!

Sabe aquela amiga que está sempre do seu lado quando é tempo de vacas magras e voltar para casa no 0 a 0 já nem tira mais o seu sono? Observe se ela também vai ficar feliz quando o “gato” que trabalha ao lado pegar seu telefone, levar você pra dançar e ainda ligar no dia seguinte marcando um cinema. Torceu o nariz? Fez previsões apocalípticas sobre o namoro que nem começou direito? Ela faz parte do grupo batizado por mim de “alérgicos a alegria” ou AAA.

A aversão à felicidade é um sentimento que vai muito além da inveja e do pessimismo. Quem sofre de AAA não consegue conviver nem mesmo com a própria realização. Ser feliz traz leveza, saúde, bem-estar, vontade de cantar e de cometer algumas doses de deliciosa indisciplina, e ainda faz o amor brotar pelos poros, um pacote completo que exige coragem para ser aberto. Sim, quem consome felicidade assume os riscos do vício e dos sintomas dolorosos da abstinência, em caso de falta momentânea do produto.

A felicidade e a alegria exigem cuidados. São suscetíveis e um tanto frágeis. Ao contrário, o sofrimento e a dor não precisam de alimento. Mesmo sem razões para existir, eles bebem na fonte dos distúrbios psiquiátricos, da nossa luta contra o tédio e da busca pela sobrevivência em um mundo movido a barganhas de sentimentos, atitudes e posições.

Os AAAs “tiram de letra” a infelicidade. É como se o fundo do poço parecesse mais confortável, porque ali não há mais o perigo da queda. Quem rasteja não tem nada a perder. Sequer há um horizonte para despertar desejos.

Se você tem amigos assim, ligue o alerta ao trocar ideias com eles sobre a vida. Tome vacinas contra o mau-humor e, se achar que vale a pena, os contagie com suas gargalhadas. Afinal, somos todos um pouco doentes da alma. Basta escolher que tipo de vírus você quer pegar.

Saúde!